PARAÍSO DAS PALAVRAS - Para ler muito e gastar pouco
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de março de 2008
Érika Gonçalves<br>Reportagem local 
Estudantes que querem economizar, garimpeiros de raridades ou edições esgotadas, colecionadores de livros ou LPs antigos. Esses são alguns perfis dos clientes dos sebos - lojas especializadas na venda de livros usados. A família Basques trabalha no ramo desde 1970. O pai, Antônio Basques, começou com uma banca de jornais na praça Jonas de Farias Castro, na Rua Quintino Bocaiúva, em 1970. Ele sempre pensou em montar um sebo e levou alguns anos para conseguir reunir o acervo.
A primeira loja foi aberta em dezembro de 1997, no Centro Comercial, e depois se mudou para a Rua Maranhão. Posteriormente dois filhos se uniram a ele nos negócios. Uma segunda loja foi aberta na Praça Sete de Setembro e depois uma terceira na Avenida Duque de Caxias. Agora, estão à frente de um projeto ambicioso, um sebo de três andares, com elevador e ar condicionado. Serão 500 mil livros, um paraíso para os aficcionados.
Além de usados, os sebos também vendem livros novos, a preços um pouco menores do que os das livrarias. Eles procuram atender ainda quem gosta de revistas, CDs, DVDs e discos de vinil. Existem os clientes que vão em busca de obras raras, que podem ser títulos esgotados ou muito antigos. Em um dos sebos, a FOLHA encontrou dois livros de direito de 1869 e 1870, que custam mil reais e já estavam reservados para um cliente.
Segundo Marcelo de Oliveira Basques, proprietário de um dos sebos, a maior procura é por livros universitários e títulos que podem ser usados por quem presta vestibular. Ele afirma que o grande público ainda são os estudantes, das mais diversas idades.
Leandro Ramos estuda Direito e conta que quando o professor passa a bibliografia ele já vai consultar o sebo. ''Tem livros que custam entre R$ 90 e R$ 100 nas livrarias e aqui compro por R$ 30 a R$ 40. Os Códigos ainda temos de comprar novos, porque precisam ser atuais, mas os livros de base compensa comprar aqui.''
Junto com Leandro estava o também estudante Adriano José da Silva, que afirma frequentar regularmente as lojas de livros usados. ''Sempre procuro livros sobre musculação e algumas coisas só encontro aqui. Além disso, os preços são bem melhores que as livrarias.''
Marcelo Basques diz que os sebos em Londrina se diferenciam dos de outras cidades porque aqui a quantidade de livros novos é grande. ''Como Londrina é uma cidade nova, são poucas as pessoas que têm livros antigos em casa. Grande parte dos nossos acervos vem de bibliotecas desfeitas, principalmente de pessoas que se mudaram para apartamentos. Com a redução dos espaços, elas não mantêm mais livros em casa. A maioria compra um livro, lê uma vez e já traz para o sebo.''
Mas existem pessoas que compram livros sem pensar em se desfazer deles. O agricultor José Luiz Néia Martini é um apaixonado pela leitura. Enquanto esperava nossa reportagem chegar, escolheu cinco títulos. Já perdeu as contas de quantos títulos tem, diz apenas que são 50 metros quadrados, a maior parte adquirida em sebos.®MDRV¯®MDNM¯ Ele confessa que não leu todos, muitos são comprados para colecionar.
Sobre suas raridades, ele elenca livros dos séculos 17 e 18. José Luiz conta que só não compra livros técnicos de Direito ou Medicina, por exemplo. ''Mas se forem bem antigos, eu me interesso.'' Seu objetivo ao comprar tantos livros é fazer uma fundação posteriormente.
Para agradar aos mais moderninhos e também facilitar a vida de quem é ocupado, já existem sites especializados, com diversos sebos cadastrados, de várias partes do Brasil, onde se pode fazer as compras como uma livraria virtual.
Alguns sebos de Londrina participam desses sites. A grande vantagem é que ao contrário dos novos, onde a variação de preço é menor entre as livrarias, nos livros usados o valor pode ser bem diferente em cada região, principalmente os mais raros.


