O Volvo C70 Coupé, que chega ao País em outubro, vende bem na Europa em cores pouco associadas à marca no Brasil, como o amarelo açafrãoO fim das férias decreta: acabou-se o reinado dos cítricos. Mas, se isso vale para a indumentária feminina, está longe de ser seguido por todas as linhas de produção. Automóveis, celulares, esmaltes, bolas de vôlei e aparelhos de som surgem em cores berrantes, impensáveis até bem pouco tempo, e determinam modismos que podem ser bem mais duradouros e abrangentes.
Parece mero acaso, mas não é. Duas vezes por ano, indústrias de todo o mundo, em todos os segmentos, reúnem-se nos Estados Unidos em um evento chamado Marketing Colours. Ali, são decididas as tendências de cores para as próximas estações, de tecidos a carros, de tinturas para cabelo a eletrodomésticos.
A indústria automobilística é a primeira a apostar pesado. Quando lançou o Palio, em abril do ano passado, a Fiat experimentou duas cores totalmente insólitas: um verde-limão fosforescente e um tom de cenoura metálico. ‘‘Ainda não é preferência do público, mas essas cores representam cerca de 15% de nossas vendas’’, afirma o vendedor Danilo Maia Neves, da concessionária Florença.
É examinando a demanda que as fábricas podem estabelecer a produção. Na linha de montagem do Palio, cores exóticas e novas como laranja vitória, verde campo, verde birmânia e roxo ainda perdem de longe para os clássicos preto, branco e prata. No entanto, vêm ganhando fãs a cada mês.
Também a GM é otimista em relação ao roxo e o azul piscina, que colorem o Corsa e a pickup S10. ‘‘As pessoas estão mais interessadas em novidades, especialmente se o carro não é para trabalho. Cores de vanguarda representam 30% de nossas vendas’’, afirma o gerente de vendas da concessionária Dipave, Sílvio Ricardo de Lima.






Nany López-Aliaga, especialista em hábitos de consumo, usa um celular roxo e acredita que as cores refletem a euforia do consumidor e o gosto por novidades, como as bolas de vôlei coloridas, mais personalizadas e divertidas


Esse exibicionismo tem, no Brasil, uma explicação bem lógica. A estabilidade da economia brasileira pós-Plano Real materializou sonhos de todos os tamanhos. ‘‘A euforia da nova vida precisa ser mostrada, e nada melhor do que as cores para traduzir isso’’, afirma a analista de tendências mercadológicas Nany López-Aliaga. Segundo uma pesquisa conduzida por ela no final do ano passado, as mulheres escolhem propositalmente as cores fortes quando compram bens duráveis com seu próprio dinheiro. ‘‘É uma forma de mostrar que elas foram à luta e conquistaram seu espaço, seu status, sua autonomia financeira’’, acredita Nany.
A própria Nany também se inclui nesse rol - traduziu em um celular roxo a sua comemoração por sucesso profissional. ‘‘Eu queria amarelo, mas quando comprei o celular ainda não fabricavam dessa cor’’, diz.
Segundo estatísticas, o consumidor curitibano, e de uma maneira geral o brasileiro, ainda reluta em assumir com desenvoltura o gosto por cores fortes, pelo menos nos automóveis. É por isso que a sueca Volvo, por exemplo, raramente traz para o Brasil carros em tons que fazem muito sucesso na Europa, como o amarelo e o laranja. Aqui, a imagem de um Volvo está associada à sobriedade do preto, do azul marinho e do prata. Em outubro, começa a ser comercializado no país o modelo C70 coupé, mais esportivo, que já está à venda na Europa e nos Estados Unidos. Além das cores tradicionais, o C70 também estará disponível nas cores amarelo açafrão e coral, mediante pedido.
Se tanto colorido cansar, não faz mal. Conceitos como fidelidade a marcas e durabilidade caíram por terra. A máxima agora é: enjoou, joga fora e compra outro. Coisas de moeda forte, reforçadas por comerciantes afoitos.

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