A transexual Carla do Amaral ainda não conseguiu marcar sua cirurgia de mudança de sexo, mas já conseguiu na Justiça que o nome feminimo fosse cravado em sua carteira de identidade. Agora, ações simples do cotidiano, como uma consulta médica ou uma compra, já não causam tantas complicações. ''Algumas vezes, havia preconceito; em outras, achavam que minha identidade era falsa, porque tinha nome de homem e me apresentava como mulher. Era muito constrangimento'', relembra.
Carla é um exemplo de como as transformações na lei são possíveis. Ela é a primeira pessoa do Estado do Paraná a conseguir a mundança de nome antes de realizar a cirurgia de mudança de sexo. A nova carteira de identidade só foi possível depois de um processo que se arrastou por dois anos no Ministério Público (MP). A decisão só saiu em agosto deste ano. Depois dela, outro transexual em situação semelhante conseguiu mudar de nome em seis meses.
Entre travestis e transexuais, as complicações do dia-a-dia não ficam restritas somente à questão do nome. A maior dificuldade ainda é conseguir um emprego que não seja no mundo da prostituição. Mais uma vez a lei avança, a sociedade não. ''É difícil travestis e transexuais conseguirem empregos. Quem tem poder aquisitivo, monta seu próprio negócio. Quem não tem, a única coisa que sobra é ser profissional do sexo'', diz Carla, que trabalha no grupo Dignidade.
Ela lembra que há muito mais discriminação contra travestis e transexuais - até mesmo por parte de outros homossexuais. ''Todo mundo dá emprego para um cabeleiro gay, mas não faz o mesmo se for um travesti, independentemente se é um profissional melhor ou não'', lamenta-se. (T.A.)

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