Para se tornar parapsicólogo
Quando Reginaldo Hiraoka foi convidado por um dos fundadores das Faculdades Integradas ''Espírita'' para coordenar o Instituto Nacional de Pesquisas Psicobiofísicas (INPP) - que estuda fenômenos de vida após a morte - levou um susto. Não pelo tema; talvez um pouco por ainda ser aluno do curso livre de Parapsicologia. Mas acima de tudo por uma experiência que teve um mês antes e que hoje avalia como uma provável precognição.
Em um sonho, Hiraoka tinha visto os dois fundadores o convidar a entrar pelos portões da instituição. Hoje, além de ser o coordenador do INPP também é o responsável pelo curso de Parapsicologia, que, como o próprio panfleto de divulgação explica, é ''o campo científico que investiga certos eventos associados às experiências humanas denominadas anômalas, haja vista que são de difícil explicação por meio dos parâmetros de tempo, espaço e energia da ciência vigente.''
A formação sofre, na opinião de Hiraoka, preconceito muito frequente, mas que tem se atenuado. ''Especialmente por hoje, a Parapsicologia ser levada mais a sério como ciência. Há uma série de trabalhos de doutorado saindo de universidades como a USP, Harvard e Edimburgo. Não há como ser mais científico que isso.''
Atualmente, 15 alunos participam do curso livre (não oferece formação superior) que dura dois anos e meio, ao custo mensal de R$ 311. Outras 20 pessoas estudam na especialização em Psicologia Transpessoal. Nela, a professora Elisa Billwiller, a responsável pela palestra sobre a sorte, dá aulas de Aspectos Multidimensionais do Desenvolvimento Humano: educação do corpo, das emoções, mente e do espiritual.
Como estrutura, a faculdade oferece aos seus alunos laboratórios de telepatia e psicocinesia, temas que ao lado de clarividência e da já citada precognição são, na opinião de Hiraoka, os mais conhecidos fenômenos da Parapsicologia. ''Por muito tempo foram levados como crendice. Hoje muitos estudos são comprovados com rigor científico. Porém, 'a ciência' é formada de pessoas que muitas vezes defendem questões pessoais e políticas'', diz.
O preconceito também vem da Academia, que, na opinião do coordenador, não está muito interessada em estudar as evidências. Como um marco, cita o livro ''Mentes interligadas'', de Dean Radin (Ed. Aleph, R$ 49), que trata da comprovação científica de alguns fenômenos parapsicológicos.
O curso da instituição, criado em 1980, faz 28 anos em 2008. E desde 2003 oferece o ''Chá com Parapsicólogos'', que já organizou 46 debates sobre temas diversos. ''Foi a forma que encontramos para dividir com a comunidade os nossos estudos, apresentando eles de uma maneira mais popular e acessível.''
Os encontros tem reunido de 20 até 77 pessoas, recorde estabelecido pelo tema ''Emergências espirituais'', em que foram descritos fenômenos como o da jovem que começou a pintar de uma hora para a outra. ''Chegou o momento em que as pessoas estão fazendo pesquisas sobre aquilo que não podem explicar'', conclui Elisa, a palestrante sobre a ''Sorte''. (R.U.)





