Curitiba - Não importa que o PMDB tenha conseguido prefeituras de cidades menores. Luiz Cláudio Romanelli, líder do governo na Assembléia Legislativa e vice-presidente do PMDB do Paraná, afirma com todas as letras que o partido ‘‘saiu fortalecido’’ das eleições municipais no Estado. Ao mesmo tempo, o deputado faz uma autocrítica do atual ‘‘partidão’’ no momento atual – e de olho em 2010, claro. ‘‘Nós sabíamos da dificuldade nas cidades maiores nessa eleição. Mesmo com os problemas previstos, conseguimos mais vereadores e mais prefeitos do que em 2004’’, avalia. ‘‘O partido está melhor articulado hoje.’’
  A crítica de Romanelli vem em relação às mudanças ideológicas do PMDB – que ajudou a redemocratizar o País na busca por eleições presidenciais e participou ativamente da nova Constituição, em 1988. Ironicamente, de acordo com o deputado, durante a ditadura, o PMDB tinha ‘‘democracia interna’’. ‘‘Depois de 88 o partido passou a ter cúpulas partidárias que impõem apoios de cima para baixo’’, avalia.
  Quando questionado sobre as coligações do PMDB do Paraná nessas eleições – que abrigaram todo o arco ideológico, passando por PSDB e até DEM – o vice-presidente do partido diz que, quando se trata de poder local, o espectro ideológico e a legenda perdem importância. ‘‘Nas eleições para prefeito e vereador, o eleitor vota na pessoa muito mais do que no partido’’, diz.
  A corrida para o Palácio Iguaçu já está em pauta. O assunto ‘‘eleições 2010’’ pairou sobre a Assembléia, os partidos e a mídia nesta semana pós-eleições. Sobre isso, Romanelli é, a princípio, categórico. ‘‘Orlando Pessuti é o nosso nome para substituir Requião’’, aponta. ‘‘É nosso melhor quadro, um nome respeitado no partido, embora não seja unânime.’’
  Questionado se o vice-governador, apesar de forte politicamente, é bom de voto, o deputado não vacila. ‘‘Isso é uma questão apenas de o partido trabalhar o nome dele. Se o PMDB decidir colocá-lo como candidato, faremos com que seja bom de voto.’’ O que conta nesse processo, avalia Romanelli, é o ‘‘timing’’ correto. ‘‘Veja o caso do (Carlos) Moreira (ex-candidato à Prefeitura de Curitiba pelo PMDB). Demorou muito para lançar o nome dele, acabou ficando ruim de voto. Tem que trabalhar no tempo certo.’’ (B.M.)

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