Para quem deseja adotar, espera é muito dolorosa
A empresária Laura (nome fictício) tentou durante cinco anos engravidar. Não conseguiu. Ela e o marido partiram para a fertilização 'in vitro', mas decidiram que, se não desse certo, adotariam um filho. Antes de saberem se a ciência havia, enfim, vencido a natureza, apareceu a oportunidade de adoção, em uma comarca menor que a de Londrina, onde haviam se habilitado. ''Pra mim, foi como se o Mar Vermelho se abrisse à minha frente'', define a empresária.
Depois de seis anos, o casal adotou mais uma criança, hoje com dois anos. Laura conta que contou com a ajuda de amigos para conseguir que os processos fossem agilizados, e admite que ''furou fila''. Para ela, enfrentar os trâmites normais de uma adoção significa submeter-se a ''uma espera muito dolorosa'', que pode durar anos e acabar levando à chamada adoção 'à brasileira'.
Na opinião da empresária, a simplificação da lei, de forma a agilizar o processo de adoção, ajudaria a resolver as contradições ligadas ao assunto. ''Há muitas mães que abandonam os filhos em instituições, mas demora muito tempo para que a justiça lhes tire o pátrio poder. Aí, quando a criança fica disponível para adoção, ninguém mais quer, por causa da idade.''
O médico londrinense Júpiter Silveira Villoz, que tem dois filhos adotivos e há vários anos é diretor da Casa do Caminho, conhece de perto os problemas que envolvem a adoção no Brasil. Ele acha que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) foi uma importante medida para normatizar o assunto, mas, por outro lado, instituiu a burocracia.
''Tivemos o caso de um garoto que chegou à instituição com quatro anos, mas a permissão para adoção por parte do juizado só saiu quando ele já estava com 16 anos. Os trâmites legais são necessários, mas muitas vezes perversos para uma criança que aguarda uma adoção capaz de mudar sua vida'', argumenta o médico, que fez a primeira adoção há 20 anos. O médico explica que a Casa do Caminho deixou de ser abrigo e se transformou em creche justamente por causa das dificuldades relativas às adoções.(S. L.)





