São Paulo - O patrulhamento está em alta; as auto-estimas, em baixa. Para o psicólogo e analista comportamental Yves de La Taille, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), o neopuritanismo, além de propagar uma persistente sensação de frustração e culpa, estabelece um clima de desconfiança no convívio entre as pessoas. ''É como se qualquer coisa que se diga ou faça pudesse ofender ou ser mal interpretada. Trata-se de um raciocínio infantil, quando não hipócrita.''
O termo 'neopuritanismo', cunhado na Inglaterra pela instituição Future Foundation, uma organização que analisa tendências de comportamento e consumo, refere-se ao triunfo da correção política sobre o prazer.
Uma recente pesquisa feita pelo instituto, com cerca de mil pessoas, revelou que boa parte dos entrevistados (de 30% a 70%, de acordo com o produto) concorda que o governo restrinja a venda e o consumo de álcool, doces, chocolates e salgados gordurosos. Querem que o Estado, veja só, controle a gula.
Na Inglaterra do século 17, puritanismo era o nome dado ao policiamento exercido por uma seita presbiteriana sobre o comportamento alheio, especialmente em relação à sexualidade. O neopuritanismo, por sua vez, não tem relação com religião e eis o perigo sua censura se pauta pelo bom senso. Ou melhor, por uma visão estereotipada e generalizante de bom senso. (L.Q./AE)

mockup