Para preservar o rio...
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Marcela Rocha Mendes<br>Equipe da Folha 
Ação promovida por uma escola do bairro Ecoville levou 30 crianças a plantar mudas de árvores nas margens do Rio Barigüi, na última semana. Em parceria com o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), alunos da 5ªsérie do Colégio Palmares também conversaram com moradores sobre a importância de conservar a mata ciliar para a preservação do rio.
Aroeira, bracatinga, tarumã, pitanga, ingá, açoita-cavalo, branquilho e urucaia foram algumas das espécies fornecidas pelo IAP, através do programa Mata Cilar do instituto, e plantadas pelos alunos.
Escolhemos espécies nativas com características diversas. Algumas ajudam a reter a erosão, outras são mais resistentes ao ambiente desmatado, explica a a professora de Ciências da turma, Thais Baldan.
A cada 20 dias, equipes de cinco alunos devem visitar o local para verificar o crescimento das plantas. Segundo Baldan, das 50 mudas usadas, cerca de 30 devem vingar.
De acordo com a coordenadora da escola, Yara Faria do Amaral, a idéia é ensinar aos alunos que, mesmo sendo crianças, é possível ter voz ativa na comunidade.
Quando eles conversam com outras pessoas sobre o assunto, eles estão reforçando para si mesmos os conceitos que aprenderam na escola. Quem sabe um dia não serão essas as pessoas a comprar briga pela conservação ambiental? Com o ato de plantar as árvores, a coordenadora espera que a ação fique marcada na memória dos pequenos.
Após o plantio, os alunos visitaram os vizinhos do rio com um questionário para averiguar o conhecimento deles sobre o conceito de mata ciliar. Eles levaram um folder sobre o tema e um cartão de visitas com o telefone de contato. Queremos que a comunidade ao redor de nossa plantação se envolva e nos ajude a preservar cada uma das árvores, conta Yara.
A pesquisa das crianças mostrou que 41% dos entrevistados, em grande parte moradores de até duas quadras de distância do Rio Barigüi, não sabiam o que é mata ciliar. Mas, mesmo na ignorância, 66% acreditavam na importância de conservá-la. Foram ouvidas 31 pessoas.
Ricardo Rabello, pai de Rodrigo, de 11 anos, incentivou o filho na lida com a terra. Morador há 10 anos do Ecoville, ele conta que procurou a região justamente por seus espaços verdes e abertos.
Antes, se vendia o bairro pela sua característica verde, agora isso está se perdendo. Nós (moradores) não queremos ver nossa região se transformar em um Champagnat, por exemplo. O Champagnat, nome comercial do bairro Bigorrilho, concentra muitos prédios.
Segundo Rabello, antes os espaços entre prédios era maior. Hoje as construções estão cada vez mais próximas. O gostoso de morar aqui é estar perto da natureza. Aqui tem bichos que só se vê em áreas rurais, como gambá, cobra, pássaros. Agora, os gambás estão invadindo os condomínios, buscando comida nas lixeiras dos prédios, explica. Ele conta que preserva em sua casa um bosque que ocupa 40% do terreno.


