PARA POUCOS - Só cinco cidades integram transporte coletivo
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 13 de dezembro de 2006
André Amorim<br> Equipe da Folha 
Quem trabalha ou estuda em Curitiba e mora na região metropolitana tem grandes chances de ter que desembolsar duas passagens de ônibus para chegar ao seu destino, pois nem todos os municípios têm o sistema de transporte coletivo integrado com a capital.
Segundo dados da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec), dos 25 municípios que fazem parte da região metropolitana, apenas cinco têm seu sistema de ônibus totalmente integrado, onde o usuário paga uma passagem na localidade de origem e pode transitar pelos terminais de ônibus de Curitiba. Outras cidades contam com integração parcial, com apenas algumas linhas fazendo a conexão com os terminais. A Região Metropolitana tem 3,6 milhões de habitantes segundo estimativa do IBGE.
Existe ainda algumas linhas que fazem a integração, mas passando por outros municípios. Um exemplo deste caso é Contenda, que para se integrar ao transporte da capital precisa passar antes por Araucária. A estudante Sara Santana mora em Campo Largo e estuda em São José dos Pinhais, para chegar à faculdade tem que passar por Curitiba, o que, segundo ela, leva muito tempo. ''Bem que poderia ter uma linha direta entre os dois municípios'', desabafa.
No restante das cidades metropolitanas, é preciso pagar uma passagem para chegar à capital e outra para transitar dentro dela. De acordo com a Comec, estas cidades são, em sua maioria, muito distantes de Curitiba, não sendo viável do ponto de vista econômico fazer a integração do transporte.
Segundo Hilnon Silva Junior, diretor de transportes da Comec, uma solução para este impasse está sendo estudada em conjunto com a Urbanização de Curitiba (Urbs), mas admite que as reuniões entre as duas entidades são bem esporádicas. A assessoria de imprensa da prefeitura de Curitiba também informa que não existe cronograma para estas discussões.
O grande desafio da integração, segundo Hilnon, é ''descobrir uma forma de não onerar o usuário''. Uma das alternativas para baratear a passagem é a compra do diesel isento de ICMS. A Comec, que é um órgão do Estado, portanto não paga imposto estadual, compraria o diesel através de licitação e o revenderia às companhias de transporte com desconto de 12% referente ao imposto. Um primeiro pregão já foi feito, mas sem sucesso, pois não houve consenso entre a Comec e as distribuidoras de combustível sobre o preço do produto.
Quatro passagens - Equilibrar o valor da tarifa do transporte integrado é uma tarefa difícil, pois o preço da passagem metropolitana é o mesmo da passagem dentro de Curitiba. Os passageiros da capital, que cobrem pequenas distâncias, acabam custeando o transporte entre os municípios, onde o trajeto é bem maior.
A auxiliar de escritório Dircélia Santos mora em Campo Largo e trabalha em Curitiba, diariamente ela paga quatro passagens (duas para ir e duas para voltar), pois o tubo do ônibus ligeirinho que faz a linha até Curitiba fica fora do terminal de Campo Largo. Mensalmente ela paga R$ 60,00 do próprio bolso em transporte, pois seu empregador só paga as passagens do Ligeirinho. Na opinião dela, o Ligeirinho poderia parar também dentro do Terminal.
Uma tarifa de ônibus acessível é fator determinante para a inclusão social, segundo dados da prefeitura de Curitiba, desde que a tarifa baixou de R$ 2,10 para R$ 1,80, no início da gestão do prefeito Beto Richa (PSDB), em 2005, houve aumento de 3,3% no número dos usuários do transporte coletivo.


