Para os EUA Bin Laden é o responsável
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terça-feira, 11 de setembro de 2001
Das agências 
O grupo de Osama Bin Laden é suspeito de estar envolvido nos atentados terroristas ocorridos ontem nos Estados Unidos, declarou um funcionário norte-americano que pediu para não ser identificado. ''Os dados preliminares sugerem que pessoas ligadas a Bin Laden ou à sua rede al-Qaida podem estar envolvidas nestes ataques'', disse o funcionário.
O milionário de origem saudita refugiado no Afeganistão é suspeito, segundo a justiça norte-americana, dos atentados contra as embaixadas americanas no Quênia e na Tanzânia, em 1998.
Um responsável da CIA lembrou que o diretor da Agência Central de Informação, George Tenet, teria advertido o Congresso, em fevereiro último, sobre a possibilidade de ataques ''sem precedentes'' contra cidadãos norte-americanos, da parte de Ossama Bin Laden e de sua ''rede global''.
JustificativaOs atentados, altamente coordenados e de uma magnitude sem precedentes, fizeram recordar o suspeito de organizar algumas das piores ações terroristas que já ocorreram no mundo: Osama Bin Laden.
O governo do Afeganistão, onde vive Bin Laden, rejeitou que ele seja o responsável pelos atentados. Um especialista colocou em dúvida que Bin Laden possa organizar uma operação tão complexa, mas outros disseram que o multimilionário saudita é o mais provável suspeito. ''Posso pensar em uma única pessoa capaz de organizar isso'', disse Harvey Kushner, especialista em terrorismo da Universidade de Long Island, em Nova York.
''Quando se pensa na coordenação exigida para essa operação, é algo histórico... as manobras para evitar a segurança nos EUA foram monumentais'', disse Kushner. ''Isto abre uma nova era na história do terrorismo.''
Um jornalista árabe que trabalha em Londres disse que os seguidores de Bin Laden advertiram seu jornal há três semanas de que haveria um ''tremendo ataque''.
''Disseram que seria gigantesco e sem precedentes, mas não deram detalhes'', disse Abdel-Bari Atwan, editor do jornal Al-Quds al-Arabi.
Houve advertências similares no passado, ''mas desta vez parece que os que nos chamaram falavam a sério'', disse.
Já a milícia dos talebans que governa o Afeganistão disse que Bin Laden não tem recursos para uma operação desse tipo.
''Fizemos o possível no passado, e o faremos no futuro, para assegurar aos EUA, de todas as formas possíveis, de que Osama não está envolvido nessas atividades'', disse o ministro de Relações Exteriores afegão, Wakil Ahmed Muttawakil.
Anthony Cordesman, especialista em terrorismo do Centro de Estudos Estratégicos em Washington, também advertiu não se pode supor que Bin Laden tenha sido o responsável.
''Há um nível de perfeição e coordenação que nenhuma medida terrorista pôde antecipar, e não há nenhum grupo ao qual se possa atribuir capacidade para organizar a ação'', disse.
Os EUA consideram Bin Laden arquiteto de alguns dos piores ataques terroristas contra norte-americanos, como a bomba de 1998 colocada nas mesmas Torres Gêmeas, ou os que destruíram as embaixadas norte-americanas na Tanzânia e no Quênia.
O FBI oferece US$ 5 milhões pela captura de Bin Laden, e o Departamento de Estado o qualifica como ''um dos principais financiadores do extremismo islâmico''.
Despojado de sua nacionalidade saudita, Bin Laden vive escondido há cinco anos e já conclamou os muçulmanos a se unirem em uma Jihad (guerra santa). Para ele, todos os cidadãos norte-americanos são alvos legítimos de ataque.
''Luto para morrer como mártir e ir para o céu encontrar-me com Deus. Nossa luta agora é contra os norte-americanos'', declarou certa vez o milionário ao jornal Al-Quds al-Arabi.


