Para onde vai a metrópole?
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quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
Diego Prazeres<br> Reportagem Local 
A cidade que desde criança fez do crescimento sua vocação se reinventa na melhor idade disposta a chegar aos 100 anos tinindo. E para onde ela vai? O potencial construtivo da metrópole do Norte do Paraná é inesgotável. Se é verdade que a conurbação com os municípios de Cambé, a oeste, e Ibiporã, a leste, impede uma expansão territorial ordenada a curto prazo, o desafio de urbanistas, engenheiros e entidades civis organizadas é projetar a Londrina centenária como uma cidade flexível, apta a acomodar o aumento populacional que se vislumbra com planejamento sustentável e mobilidade urbana.
"Tornar uma cidade flexível é fazer o trabalhador morar perto do trabalho, porque com isso ele pode ir a pé, de bicicleta, sem grandes complicações de deslocamento. E como agora existe um controle tecnológico e ambiental muito intenso, a indústria não é mais aquele polo gerador de poluição em que era preciso afastá-la da cidade. Quando você agrega a área residencial com um comércio ou uma atividade industrial, você cria um fluxo de pessoas que favorece até a questão da segurança", explica o urbanista João Baptista Bortolotti, ex-presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) e um dos formuladores do Plano Diretor que está em discussão na Câmara Municipal.
Diretor de planejamento do ex-prefeito José Richa (gestão 1973-77), Bortolotti foi o responsável por intervenções urbanísticas importantes na cidade nos anos 70. De sua cabeça, saíram os projetos viários da Avenida Dez de Dezembro, via rápida de integração entre as zonas sul e norte concebida para desafogar o tráfego na Duque de Caxias, e do prolongamento em pista dupla da Avenida Juscelino Kubitschek até a Santos Dumont a JK terminava em pista simples na Rio de Janeiro, quando virava Avenida Jacarezinho.
A Londrina centenária, na avaliação de Bortolotti, tem como rumo a expansão em direção aos distritos rurais da zona sul (Patrimônios Espírito Santo, Maravilha, Irerê, Paiquerê e Guairacá). O Plano Diretor prevê o desenvolvimento dessas localidades com a criação de núcleos residenciais, atração de empresas e a integração viária entre si por meio do Anel Verde. "Quanto mais você aumenta a malha urbana, pior é. Então quando iniciamos a discussão do novo Plano Diretor pensamos em segurar a malha e criar pequenas cidades próximas dela. Como? Desenvolvendo os distritos, fazendo deles pequenas cidades onde você possa trabalhar perto, melhorando a segurança, e levar a indústria para desenvolvê-los", explica.
Segundo o urbanista, os distritos, do jeito que estão, são mal aproveitados, pois há infraestrutura, mas não desenvolvimento. "E dentro dessa proposta, a ideia é criar o Anel Verde, interligando os distritos e desafogando a malha urbana, e começar a distribuir um pouco essa população, que daqui a pouco vai chegar a um milhão, dois milhões de habitantes", diz Bortolotti.
Para o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Norte do Paraná (Sinduscon Norte), o novo Plano Diretor terá que acompanhar a dinamicidade urbanística de Londrina. A cidade que não para de crescer. "Após a aprovação do plano, temos que começar sua revisão. Temos que estudar a criação de novos centros na cidade e incentivar o comércio para fora do centro velho", afirma o presidente da entidade, Osmar Alves.


