Para manter hobby, é necessário certo padrão de renda
Os colecionadores entrevistados pela Folha não gostam de falar sobre os valores movimentados nesse hobby. ''Você não pode falar em custos. Essa atividade tem que ser encarada como uma preservação da história. Só que o governo não nos dá nada para preservar esse patrimônio, nem exime os colecionadores de impostos'', afirma Raul Beltrami.
Roberto Biesemeyer diz que o Clube de Automóveis Antigos do Paraná tem sócios de diferentes níveis de poder aquisitivo. Entretanto, o empresário reconhece que é necessário ter um certo padrão de renda para manter o hobby. ''Muitos sócios têm carros de família, que eram do avô, do pai, e o filho quis manter o veículo. É claro que alguns sócios não tinham automóvel da família e tiveram que comprar. Hoje, para começar uma coleção, adquirir carros antigos e restaurar, você gasta um bom dinheiro'', explica.
Biesemeyer aponta que a maioria dos sócios do clube é composta de profissionais de áreas com média salarial elevada, como empresários, médicos e advogados. ''Curiosamente, são profissões muito estressantes. Acho que muita gente busca esse hobby para esquecer da tensão do trabalho'', acredita o empresário.
Marcus Conte explica que a clientela de seu estúdio está no ''menos de 1% da população'' que tem altíssimo padrão de renda. ''Tenho poucos clientes de Curitiba. É mais gente de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, normalmente empresários. E é uma clientela muito exigente'', diz Conte.
O empresário muitas vezes localiza e importa automóveis antigos desejados por clientes, restaura o veículo e entrega. ''Esse mercado é muito pequeno no Brasil, mas nos Estados Unidos é um mercado bilionário''. (F.G.)





