A vitória de Alexandre Kireeff (PSD) representa a esperança do eleitor em uma ruptura com a política tradicional, disseram à FOLHA analistas políticos de Londrina. Sem ter ocupado cargos públicos e com o discurso de uma gestão técnica e sem amarras políticas, o candidato conseguiu um feito semelhante ao do ex-prefeito Nedson Micheleti (PT), eleito em 2000. Tanto Kireeff quanto Nedson saíram dos últimos lugares nas pesquisas para um segundo turno vitorioso.
''Quando Nedson foi eleito, também havia essa expectativa de ruptura, que não aconteceu'', analisou o professor do departamento de filosofia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Bianco Zalmora. ''Logo no começo do mandato o PT aliou-se a adversários políticos ligados ao belinatismo.'' Para o professor Elve Miguel Cenci, também da UEL, a vitória revela que o londrinense ''quando está descontente com os políticos, aposta nos novos''. ''O eleitor escolheu a novidade.''
Zalmora acredita que há razões históricas para Kireeff ser eleito, como a semelhança de suas propostas com as do ex-prefeito Wilson Moreira (PSDB), ícone londrinense de gestor público austero e eficiente. A partir de 1988, quando terminou o mandato do tucano, nunca mais uma proposta mais técnica chegou ao poder. O secretário estadual Luiz Carlos Hauly tenta ocupar este espaço, mas nunca teve aceitação suficiente. ''O Kireeff vem preencher esse espaço, com rejeição bem menor e se apresentando como o novo.''
Para ambos os professores, nem Kireeff, quando entrou na disputa com 3% das intenções de voto, acreditava na possibilidade de ser eleito. ''Eu achava que nunca mais veria uma eleição como essa'', afirmou Cenci.
O professor entende que a derrota de Marcelo é também a derrota do belinatismo, especialmente em razão do número de partidos - 18 ao longo da eleição - orbitando em torno da candidatura de Marcelo. ''Não é o fim do belinatismo, mas uma derrota significativa.''
Outro apontamento de Cenci é quanto ao erro de estratégia da união PP/PSDB. ''Como o governador conseguiu fazer 70% dos votos em Londrina com esta união, acreditou que seria possível mais de 50% dos votos na cidade. E não deu certo'', avaliou. ''O governador foi derrotado nas duas maiores cidades do Estado, o que é preocupante para uma campanha de reeleição.''

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