Para deixar o velho como fosse novo
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 06 de dezembro de 1996
Mariela de Castro Santos 
Aquelo velho baú de madeira guardado no sótão, a cristaleira com o vidro quebrado, o abajur com a cúpula rasgada, o vaso de cerâmica lascado - todas aquelas velharias que você não tem coragem de jogar fora por causa do valor afetivo já podem voltar a ocupar lugar de destaque na casa. Com o processo de restauração, peças de mobiliário e decoração condenadas ao esquecimento por causa da má aparência podem recuperar a aura de coisa nova.
Engana-se, porém, quem imagina que é preciso ser um entendido em arte para executar esse tipo de recuperação em peças sem valor artístico. Com um pouquinho de habili dade manual e muito interesse, qualquer pessoa pode aprender. Meus alunos são decoradores, arquitetos, donas de casa, homens e mulheres leigos que gostam de coisas antigas e de qualidade, atesta Guiomar Carrilho Espanhol, que há trinta anos dá aulas de restauração.
Na hora de recuperar uma peça, alguns detalhes são fundamentais. A madeira, por exemplo, não pode ter nem vestígios de cupins. Se estiver lascada, não é problema - existem massas especiais que, depois de um tratamento específico, ficam iguaizinhas à madeira. Com qualquer material, seja madeira, metal ou cerâmica, o mais importante é preparar adequadamente a base em que vai se trabalhar, para que o resultado seja perfeito, lembra Guiomar Espanhol.
Esse tipo de trabalho serve não só para a recuperação de peças danificadas ou envelhecidas, mas também para reciclar ambientes, mudando a aparência de móveis e paredes. Estuque veneziano, papel machê, pátina e decapê são algumas das técnicas mais comuns, que podem ser aplicadas sobre qualquer superfície, incluindo metal, gesso e porcelana.
Esses pequenos consertos domésticos, que vão desde lixar e envernizar até mexer com massas, colas e resinas, passando por solda, modelagem em argila, pátina e uma infinidade de atividades, são tão populares na França que lá existe até uma palavra para agrupá-los: bricolage. Fazer isso é considerado um hobby na Europa - principalmente porque contratar alguém para esses serviços sai muito caro.


