Rio - A unificação ortográfica dos países de língua portuguesa, que vem sendo protelada desde a assinatura do acordo, em 1991, ''pode nunca entrar em vigor''. É o que admitiu na última sexta-feira o presidente da Comissão de Definição da Política de Ensino, Aprendizagem, Pesquisa e Promoção da Língua Portuguesa (Colip), Godofredo de Oliveira Neto. ''Não faz sentido começar um acordo de unificação já desunidos'', disse ele, sobre o fato de que apenas três dos oito países da Comissão de Países de Língua Portuguesa (CPLP) ratificaram o documento.
Oliveira Neto reuniu-se com representantes dos ministérios da Educação (MEC), Relações Exteriores, linguistas e gramáticos das principais universidades do País, no Palácio Gustavo Capanema, no Rio. Para o secretário de Educação Superior do MEC, Ronaldo Motta, que participou da reunião, a adesão de Portugal e Angola, que ainda não ocorreu, é estratégica para a unificação ortográfica.
De acordo com Motta, o MEC retomou as discussões para implementação do acordo como parte da política externa do governo Lula, de aumentar a área de atuação do Brasil no continente africano. ''Não pode mais acontecer de doarmos livros didáticos para Angola e eles serem queimados porque a ortografia é diferente'', disse ele.
O acordo previa que se fosse assinado por três países já poderia ser implementado nesses lugares. O Brasil foi o primeiro a ratificá-lo, em abril de 2004, seguido de Cabo Verde. Além de Portugal e Angola, faltam ratificar o documento Moçambique, Guiné Bissau e Timor Leste.
Portugal quer acordo - Em Portugal, a reforma ortográfica - que recebe o nome de acordo ortográfico - pode entrar em vigor em 2008. A expectativa é do Cônsul Honorário de Portugal em Londrina, Antônio Lourenço Martins. Segundo ele, o acordo está para ser aprovado na Assembléia da República - órgão que representa o legislativo federal do país.
''Lá existe um interesse grande e o assunto já está tramitando na Assembléia. Acredito que deva ser aprovado nos próximos dias'', declarou. Segundo o Cônsul, não há em Portugal resistência à reforma - ao contrário do que vem sendo relatado pela imprensa brasileira.
''Não vejo assim. Lá a reforma atinge 1,5% das palavras - mais do que no Brasil -, mas acreditamos que vai facilitar para todo mundo. Penso que em Portugal a implantação vai ser até mais rápida do que aqui''.(Colaborou Fábio Cavazotti)

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