Aulas ficam mais dinâmicas e estudantes se interessam mais pelas matérias
Leitura permite formação de consciência crítica; ao lado, o vereador José Sabaini, incentivador do projeto, e a professora Neusa de Jesus PizzaioKaren da Silva Confortino, de Cambé: ‘‘O jornal é muito importante para a vida das pessoas. Todo mundo devia ler. Como nós estamos tendo essa oportunidade, devemos aproveitar’’.Trabalhar com jornais em sala de aula foi uma prática comum ao vereador João Sabaini, de Cambé, durante os 32 anos em que ele lecionou na cidade. Professor de História aposentado, ele costumava discutir com os alunos a extinta coluna ‘‘Hoje na História’’, publicada na Folha, alcançando grande êxito. Foi esta bem-sucedida experiência que estimulou o ex-professor e hoje vereador a implantar o Projeto Cidadania nas 44 escolas da rede municipal. Desde o segundo semestre do ano passado, 198 exemplares do jornal são distribuídos semanalmente entre os 1040 alunos matriculados nas 4ª séries.
A Prefeitura é responsável por patrocinar o Projeto, através da Secretaria de Educação. De acordo com Sabaini, a idéia foi muito bem recebida pelo prefeito José do Carmo Garcia e vai continuar em ação no ano que vem. O vereador também pretende estender a distribuição dos jornais para a rede pública estadual, mas para isso precisa do apoio da iniciativa privada. ‘‘Tenho certeza que o empresariado local vai ajudar, porque é uma boa oportunidade de divulgar sua marca e associar o nome de seus produtos a um projeto que busca fomentar a educação e a cultura’’, diz.
Sabaini acha que o hábito tem que ser formado na infância. Ele explica que o contato com jornais ajuda a formar uma consciência crítica sobre os fatos e abre as portas para os alunos se tornarem cidadãos do mundo. ‘‘O jornal é interessante porque traz uma variedade imensa de assuntos a ser explorados. É um livro escolar diário’’, enfatiza.
As aulas ficaram mais dinâmicas e as crianças estão mais interessadas em temas antes considerados chatos. Até os pais aprovaram a idéia, pois os alunos costumam levar alguns exemplares para casa para ler com os familiares. A disputa é grande na hora de escolher quem vai ficar com a Folha – na maioria das vezes o jornal é o único produto cultural escrito nos lares.
A professora Neusa de Jesus Pizzaio, responsável pela 4ª série da Escola Municipal Padre José de Anchieta, no Jardim Tupi, explica que, assim como os demais professores, já utiliza o trabalho com jornais como parte da nova metodologia proposta pelos Parâmetros Curriculares Nacionais - que visa reformular o conceito de educação, valorizando o saber do aluno e tornando-o mais crítico. ‘‘Os vários cadernos da Folha propiciam condições para diversificarmos as atividades, globalizando informações’’, afirma.
Neusa observa que o Projeto Cidadania é importante porque permite às crianças atingirem níveis mais avançados de aprendizagem. Porém, ressalta que é preciso saber trabalhar o material. ‘‘Pedir a opinião dos alunos sobre as notícias, por exemplo, é uma forma de exigir retorno de leitura e um estímulo para que se posicionem, assumindo a consciência crítica dos fatos’’.
Os jornais distribuídos também auxiliam a professora em suas aulas no Curso de Magistério. Além de debater as notícias com as alunas, Neusa ensina a metodologia para trabalhar com este tipo de material. ‘‘Até eu estou aprendendo. A cada nova edição, fico sabendo de novidades que nem imaginava existir’’, relata.

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