Na avaliação do cientista político Mário Sérgio Lepre, o voto nulo representa mais indiferença do que protesto. ‘‘O voto nulo acaba se confundindo com o branco e dando muito mais uma idéia de indiferença do que de protesto. É muito mais interessante protestar indo às ruas. Se existe corrupção generalizada na política, a sociedade deveria se organizar e ir às ruas para bater em panelas. Seria o ‘panelaço contra a corrupção e a impunidade’. Talvez não se faça isso porque a corrupção esteja enraizada tanto na política quanto na sociedade, o que é pior. Para mim, no dia das eleições, cabe participar e optar. É com os erros e acertos que se consolida a democracia.’’
  Lepre ainda acredita que um baixo índice de votos nulos e brancos - considerados inválidos - não compromete a legitimidade de um candidato eleito. ‘‘Não acredito que seja verdadeira a afirmação de que os votos nulos coloquem a credibilidade dos eleitos em xeque. Acho ainda extremamente improvável que a quantidade de nulos cresça a ponto de gerar este debate. Observe que o voto nulo é um voto sem rosto. É muito difícil convencer o eleitor de votar no ‘não sujeito’, pela lógica, o eleitor acaba optando por um rosto.’’
  Na eleição presidencial de 2002, 7,35% dos eleitores anularam o voto. Outros 7,06% optaram pelo voto em branco. O maior percentual de votos nulos foi registrado na eleição para senador: 11,89%. (C.O.)

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