Sem um mercado de celebridades, ainda que composto de uma sociedade rica e influente, Curitiba não tem ninguém famoso o suficiente que mereça ser flagrado por um paparazzo. É o que dizem os fotógrafos com quem FOLHA conversou. O merecimento se resume basicamente a artistas - principalmente as estrelas de televisão. Os paranaenses que atingiram tal status já não vivem mais no Estado. Todos estão no eixo São Paulo-Rio, principalmente sob as asas da Rede Globo.
"Curitiba não tem um mercado para paparazzo. Aqui, quem faz isso, tem o nome desvalorizado", acredita Diego Pisante. As fotos de celebridades em terras paranaenses passam longe dos flagrantes e ficam restritas a presença de famosos em eventos ou desfiles de moda. "Paparazzo fica queimado", dispara logo Gerson Lima, que define seu trabalho como "fotojornalismo social".
Naideron Jr. diz que os registros que faz das pessoas são no "bom sentido" e que nunca ficaria seguindo uma pessoa por flagrante indiscreto. "Tento ser o mais diplomata possível ao fazer uma foto", diz ele.
Se os paparazzi (ou, numa visão mais abrangente, os fotógrafos do mundo social) registram a fatia mais doce da vida dos ricos, poderosos e famosos, a inspiração para o uso da palavra italiana para designar esse tipo de profissional vem de um dos filmes do cineasta neo-realista italiano Frederico Fellini. Em "A Doce Vida" (1960), Fellini retratou a história de um jornalista vivido por Marcello Mastroiani, que trabalha acompanhado do fotógrafo Signore Paparazzo. O nome do fotógrafo teria sido escolhido pelo diretor inspirado em um mosquito da Sicília - o paparaceo.
Hoje, o termo paparazzo (paparazzi, no plural) é usado para se referir à fotógrafos que vivem em busca de flagrar momentos indiscretos de pessoas públicas como artistas, políticos, atletas, entre outros. Um flagra realmente quente pode valer muito dinheiro. "Só fazem isso por dinheiro", opina Naideron. "Como fotógrafo do social não se fica rico, mas dá para pagar as contas", completa Lima. (T.A.)

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