Papai Noel é uma profissão que requer talento e sensibilidade
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sexta-feira, 20 de dezembro de 1996
Simone Mattos 
Olhos azuis, barba branca, uma grande barriga e muita tranquilidade na voz. Nem todos são exatamente assim, mas a grande maioria encanta as crianças que nesta época do ano formam filas para encomendar seus presentes, ganhar um punhado de balas, tirar uma foto e abraçar o bom velhinho. No entanto, este exército de roupas vermelhas e risada gostosa não veio do Pólo Norte à bordo de trenós guiados por renas, conforme acreditam os baixinhos. Eles são pessoas de carne e osso, com muitas histórias para contar...
O soldador mecânico aposentado, Waldir da Silveira, 52 anos, mudou sua rotina desde o início do mês. Ele acorda cedo, sai de sua casa no município Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba, às 7 horas e assume o posto de Papai Noel às 9h. Diariamente, até às 19h, ele recebe dezenas de crianças na porta do Shopping da Moda, no calçadão da Rua XV.
Procurei este emprego por necessidade de dinheiro, confessa. Ele tem cinco filhos, recebe uma aposentadoria mensal inferior a R$ 400,00 e nunca havia trabalhado como Papai Noel. Não sei exatamente quanto ganharei aqui, mas com certeza será um dinheirinho a mais para ajudar no orçamento, afirma.
Ele disse que não está tendo nenhuma dificuldade para lidar com as crianças. Ainda não houve nenhuma pergunta embaraçosa ou situação constrangedora, explicou. Elas só querem saber dos brinquedos.
A pequena Pricila Kuss, 4 anos, pediu neste ano que sua mãe a levasse para ver todos os Papais Noéis, numa maratona de shoppings e lojas. Eu quero ganhar uma mesinha de presente e acho que quem vai levar na minha casa é este Papai Noel, disse ela, referindo-se a Silveira.
No mesmo momento, disputando o colo do Noel, Jonathan Eduardo do Nascimento, 5 anos, encomendava o seu carrinho. Sei que é ele quem irá na minha casa no Natal para levar o meu presente, afirmou.


