Enquanto ninguém cumpre a lei sobre panfletagem, entregar os folhetos pelas ruas da cidade já virou até profissão. É o caso de Josiane Paludo, de 19 anos, que trabalha há um mês para uma financeira, com direito a carteira assinada. Ganha R$ 469 para entregar panfletos na Rua XV, das 9 às 16 horas, com uma hora para o almoço. A maioria das moças e rapazes que fazem panfletagem, no entanto, não tem vínculo empregatício. São prestadores de serviço, ligados a uma agência ou empresa terceirizada, e recebem por dia entre R$ 10 a R$ 15 para quatro a até oito horas de trabalho.
''Cansa as pernas, dá uma tensão nos ombros. Passar o dia em pé, cansa'', conta Josiane. Mas o pior, segundo ela, é a reação de quem passa. ''A maioria diz que está com pressa. Muitos também reclamam, outros agridem, uns dizem palavrão. Alguns falam que só pegam para me ajudar'', diz.
Priscila dos Santos, de 18 anos, que neste mês também entrega panfletos de uma financeira, calcula que só 35% das pessoas pegam o folheto. ''É difícil, vai do bom-humor das pessoas. Tem gente que vê que a gente está cansada e acaba pegando por pena'', diz.
Ao observar uma panfletagem, é possível ver essas diferentes reações de quem passa. Grande parte dá um jeito de não pegar o papel, seja desviando o caminho ou passando reto, como se não tivessem visto os panfleteiros. Outros, ainda, pegam o folheto quase que automaticamente, para em seguida se desfazer do material.
E é exatamente esse o maior problema, para o gari José Antonio Ferreira. ''A maioria pega de quem está entregando, dá uns dois, três passos e joga no chão, nem procura uma lixeira'', diz, lembrando que a sujeira aumenta em épocas de promoções, como ocorre em datas especiais, como o Dia das Mães.
O casal Lucineide Souza e Aldinir da Silva, de Cascavel, que passou o feriado do Dia do Trabalho em Curitiba, conta que costuma pegar os panfletos. ''Pego por educação, mas depois a gente tem que procurar uma lixeira para se livrar do papel'', diz Aldinir, que se revelou surpreso com a atitude do curitibano. ''Em Cascavel jogam muito mais no chão'', comentou.
Jocimar Francisco de Almeida, de 28 anos, que trabalha com vendas, é o pedestre que todo panfleteiro e gari gostam de encontrar. ''Costumo pegar por educação. Leio, se me interessa eu guardo, se não jogo no lixo'', diz, garantindo que nunca joga o pepal no chão. ''Um bom curitibano não joga papel no chão''. (M.G.)

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