Pancadão Gospel
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quarta-feira, 07 de janeiro de 2009
Omar Godoy<br> Equipe da Folha 
A batida é de funk carioca. Os vocais, meio gritados, também. Mas basta prestar atenção na letra para perceber que a música não embala as cachorras, popozudas e preparadas de plantão. "Pisa no diabo/ Pisa sem perdão/ Pisa na cabeça/ Porque ele é vacilão".
Sim, trata-se de um improvável pancadão evangélico. E há vários outros no acervo da Rádio Gospel Online, produzida em Curitiba por dois fiéis da Igreja Internacional Vida Nova. Como o "Bonde do Ungidão", uma versão do "Bonde do Tigrão" que troca o "cerol" por "óleo na mão".
"Um dos diferenciais do nosso site é a diversidade de estilos", garante Diogo Schuntzemberger, 25, sócio de uma empresa do ramo de internet e um dos criadores do projeto. É verdade. Do reggae ao sertanejo, do forró à eletrônica, a rádio oferece opções para todos os paladares musicais. Tudo para "ganhar mais almas para Jesus", como ele mesmo explica.
Criado em Centros de Tradições Gaúchas, Diogo conta que sempre gostou de música. Toca acordeão desde criança e, há alguns anos, montou uma estação virtual dedicada aos sons tradicionalistas. No começo de 2008, porém, uma transformação pessoal alterou o perfil do site.
Influenciado pelo sócio, o empresário, que até então era apenas mais um católico não-praticante, "aceitou Jesus". E não demorou muito para que o sistema da antiga rádio gauchesca fosse ampliado para abrigar um extenso catálogo de canções gospel.
São mais de 4 mil faixas disponíveis, além de letras, palavras de pastores, mural de testemunhos, coberturas de eventos, links úteis e um campo a ser preenchido com pedidos de oração. Há apenas três meses no ar, o portal já conta com uma média de 800 visitas diárias, muitas delas de internautas de outros países.
"Até agora, fizemos tudo sem muita divulgação. Nossa meta é chegar à marca de mil visitas por dia e, aí assim, correr atrás de publicidade", afirma Diogo. Ele cuida da logística do projeto, enquanto o sócio, Luiz Mendes, 50, dedica-se à pesquisa musical.
Para o empresário, a explosão da música religiosa é apenas um reflexo do avanço das denominações neopentecostais (que, como se sabe, ocupam os espaços midiáticos para conquistar novos fiéis). Estima-se que há mais de 30 milhões de evangélicos no País - e essa população pode aumentar para 50 milhões até 2020. A cada ano, surgem 10 mil novos templos no País, que já contabiliza 200 mil igrejas e 300 mil líderes.
Ainda assim, o empresário não deixa de se espantar com a multidão que comparece aos shows gospel. Em novembro do ano passado, ele conta, 80 mil pessoas assistiram à apresentação da banda australiana Hillsong United, em Balneário Camboriú (SC). No mesmo mês, em Curitiba, o grupo de rap paulista Ao Cubo rimou para 2 mil manos e minas "de fé" em um evento bem menos divulgado. "Foi bacana ver aquele monte de carçudo dançando e cantando contra as drogas e violência", lembra.


