Construído a partir de 1914, pelo engenheiro e então prefeito de Curitiba, Cândido de Abreu, para ser a sede da prefeitura, o Paço Municipal foi inaugurado em 1916. O local foi a sede do poder executivo do município até 1969 e em 1970 começou a primeira restauração. Após interrupção, retomada e, finalmente, conclusão da obra já em 1974, o prédio passou a abrigar o Museu Parananense.
A edificação de arquitetura eclética com elementos neoclássicos e ornamentações 'art nouveau' tem 2.205,70 m2 e é um dos monumentos históricos mais ricos do Estado, na avaliação do arquiteto Marcelo de Paula Soares. ''Esse prédio é impressionante, toda vez que a gente vêm aqui acha um detalhe interessante. Há trabalhos de vários tipos de mão-de-obra especializada em marcenaria, pedras, pintura. A somatória de tudo isso é uma obra riquíssima em termos de acervo'', justifica.
Na época em que o prédio permaneceu fechado, indigentes dormiam no local oferecendo ainda mais risco ao patrimônio histórico. ''Foi sorte que não houve um dano maior, que não fizeram uma fogeira aí dentro'', observa Soares. As paredes externas estão pichadas, os vidros das janelas quebrados e faltam pequenos pedaços das esculturas da fachada. Há um mês e meio o prédio foi cercado pelo Sesc com tapumes e foi providenciada vigilância 24 horas para evitar mais invasões.
No interior, o teto do hall cedeu e está escorado por armações de madeira porque ainda há risco de desabamento. Nos demais pavimentos há salas em que o forro veio abaixo de uma só vez por causa da infiltração de água pluvial. ''Milagrosamente, a sala mais rica e importante foi a que ficou melhor preservada'', explica o arquiteto. A sala a que ele se refere fica no terceiro pavimento e era onde os prefeitos de Curitiba deliberavam sobre o destino da cidade.
Ex-prefeito da Capital entre 1962 e 1967, Ivo Arzua Pereira, hoje com 82 anos, guarda com carinho a recordação do tempo em que despachou no Paço Municipal. ''Tenho as melhores lembranças da minha vida de ter trabalhado lá por tudo aquilo que foi feito'', afirma.
Pereira ressalta que passos importantes para a vida de Curitiba foram definidos naquele prédio, como o Plano Urbanístico de 1961, em vigor até hoje, e a renovação do Centro Urbano. Para ele, o patrimônio histórico de um município deve ser mantido em boas condições para ser apreciado não só pelos turistas mas pelo próprio povo local. ''Uma obrigação fundamental para os governantes é preservar obras históricas e prédios, que são a memória histórica de um povo. É muito importante para que o povo se sinta orgulhoso e cada vez ame mais a sua cidade'', defende o ex-prefeito. (D.R.)

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