Mais conhecida como Landa, a dona de casa Orlandina Soares, 56 anos, orgulha-se de ser uma das primeiras fiéis do ministério Crescendo em Graça em Curitiba.
  Com passagens por diversas outras denominações evangélicas, ela conta que conheceu a palavra de ‘‘Papai’’ há 14 anos, por meio de conhecidos. ‘‘Nunca mais senti tristeza, porque Jesus deixou tudo pronto quando morreu. Só existe o bem’’, afirma.
  Antes da inaguração do centro educativo, ela conta, as reuniões eram realizadas em auditórios de hotéis. Agora, Landa é responsável por vender CDs e DVDs em uma banquinha montada no salão (cada unidade custa R$ 5). ‘‘É para quem perdeu algum encontro’’, explica.
  Apesar de ter apenas 19 anos, Luana Araújo, filha do colaborador Joanísio, é outra veterana do grupo. ‘‘Fui criada dentro do ministério’’, diz a moça. Seu pai, ex-membro da Igreja Metodista, encantou-se com os ensinamentos de José Luis de Jesús Miranda há cerca de oito anos, quando ela e a irmã mais nova ainda eram crianças. De lá para cá, a família só fez aumentar sua crença no Jesus Cristo Homem.
  Luana admite que suas tatuagens assustam quem não a conhece direito, mas garante que jamais se arrependerá delas. ‘‘Uma vez que o véu é retirado, não se volta atrás’’, afirma a moça, que atualmente estuda para ingressar na Polícia Militar.
  A julgar pelo que dizem os fiéis, o grande atrativo de Crescendo em Graça é a possibilidade de levar uma vida sem culpa. ‘‘Eu não concordava com esse negócio de pecar e pedir perdão, pecar de novo e pedir perdão. Achava isso uma hipocrisia’’, diz João Pierozan, 44, formado no catolicismo.
  Técnico de uma fábrica de móveis, ele participa do ministério desde 1996. E não tem problemas em dizer que fuma, bebe, sai para dançar, etc. Tudo com moderação e noção das conseqüências. ‘‘O que você plantar, vai colher’’, esclarece.
  Mas daí a acreditar que Cristo tem casa em Miami não é um grande salto? ‘‘As evidências estão na Bíblia. Em Hebreus, por exemplo, está escrito que ele aparecerá pela segunda vez sem pecado, exatamente como prega José Luis de Jesús Miranda’’, afirma a estudante. ‘‘Ele mesmo diz que foi difícil se aceitar como Jesus Cristo Homem’’, completa Joanísio.
  A professora de Educação Física Nayara Fieltz, 30, freqüenta as reuniões há quatro anos. Homossexual assumida, ela garante que não ingressou no ministério apenas pelo fato de ter sua orientação aceita pelos demais.
  ‘‘Se Jesus se sacrificou por nós, por que tudo continua igual no mundo? Era isso que eu não entendia no catolicismo e no espiritismo’’, explica.
  Nayara tem uma nova namorada, que respeita sua crença e não se assustou com a tatuagem inusitada. ‘‘Quem teve medo foi o próprio tatuador. Por pouco ele se recusou a fazer’’, revela. (O.G.)

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