O nome dele é Enéas Ferreira Carneiro. Candidato à presidência da República pelo Partido da Reedificação da Ordem Nacional (Prona) pela terceira vez, o barbudo Enéas, de 59 anos, já é figura carimbada da política nacional. Em 1989, com apenas 15 segundos de propaganda no horário eleitoral gratuito, conseguiu 360 mil votos, ficando em 12º lugar na disputa que elegeu Fernando Collor. Mas o bordão que utilizou para encerrar suas críticas ao governo e aos adversários - ‘‘Meu nome é Enéas’’ - ficou gravado na memória dos eleitores.
Na eleição de 1994, com um minuto e 15 segundos de espaço no rádio e na televisão, ele conseguiu 4,6 milhões de votos, superando políticos de expressão no cenário nacional como Leonel Brizola (PDT), Orestes Quércia (PMDB) e Esperidião Amin (PPB). Com um discurso inflamado contra a política e os políticos - sua marca registrada nas campanhas - ele tenta aglutinar o descontentamento nacional com propostas polêmicas. Na campanha deste ano, defende a construção da bomba atômica, a triplicação do efetivo das Forças Armadas, o calote nas dívidas externa e interna e a reestatização das empresas privatizadas.
O médico cardiologista Enéas Carneiro nasceu em Rio Branco, no Acre, em 5 de novembro de 1938, mas só foi registrado em Belém (PA), aos 9 anos, idade em que perdeu o pai e começou a trabalhar para ajudar a família. Primeiro aluno em todas as séries dos cursos primário e ginasial, aos 18 anos ele passou no concurso para a Escola de Saúde do Exército e se mudou para o Rio de Janeiro, onde reside até hoje.
Seu discurso disciplinador e nacionalista deve-se aos oito anos em que serviu o Exército. Avesso à política, Enéas diz que fundou o Prona para disputar a eleição presidencial ‘‘face à ausência de perspectivas com o futuro político do País’’. Mesmo tendo conseguido estruturar o Prona em todo o País, Enéas não valoriza as eleições proporcionais e garante que só continuará disputando a Presidência. ‘‘O deputado federal não tem força para mudar, mas o presidente sim, tem um grande poder’’, justifica.
Crítico da degradação moral da sociedade, Enéas foi surpreendido com denúncias de desonestidade na campanha de 94. Ele teria recebido salário do Hospital do Câncer do Rio de Janeiro durante 13 anos sem ter trabalhado. Essa denúncia provocou seu pedido de demissão e aumentou sua fúria contra a imprensa, que insiste em qualificar como ‘‘podre’’.
Embora queira a reestatização das empresas privatizadas, Enéas se diz defensor da iniciativa privada e promete, se eleito, dar um ‘‘empurrão gigantesco’’ na indústria nacional. Considerado fascista por adversários e críticos, ele se coloca acima das ideologias. ‘‘O velho conceito de esquerda está acabado, mas também o que está aí à direita, que hoje está assimilada ao modelo neoliberal especulativo, não queremos mesmo’’, proclama.

mockup