Palacete inovou arquitetura no início do século XX
Hoje, o Palacete dos Leões está localizado à Avenida João Gualberto, mas na época em que foi construído a via tinha outro nome, era a Boulevard Dois de Julho. Segundo Ângela Damiani, o casarão foi projetado pelo engenheiro Cândido de Abreu (1856-1919), que tinha se formado na Politécnica do Rio de Janeiro, em estilo eclético. A residência inovou a arquitetura, no início do século XX, já que o estilo dominante era o estilo europeu, principalmente o germânico. É de autoria do engenheiro ainda outros dois casarões no bairro.
O palacete foi erguido para abrigar a família do industrial Agostinho Ermelino de Leão Júnior, fundador da empresa Matte Leão, e considerado o maior erva-mateiro do Paraná. O casarão representava a riqueza da Família Leão e também os tempos de prosperidade na economia do Estado. A fachada do casarão traz elementos da art nouveau e do renascimento, demarcada por pilastras, portas em arco pleno e ornamentos como capitéis, coríntios balaústres, conchas e cabeças de leões.
Escadarias principal e lateral, terraço, torreão dos fundos, jardins e portão de entrada e saída para as charretes completam o ambiente externo. No interior, o requinte fica por conta dos afrescos, lustres de cristais, portas de cedro talhadas, vitrais, mármore de Carrara, papel de parede e cortinas inglesas. Devido ao prestígio de Agostinho e do seu palacete, o lugar hospedou pessoas ilustres como Affonso Pena, o então presidente da República. Mas foram os descendentes de Agostinho que mais aproveitaram a sofisticação do lugar, já que ele faleceu em 1907, cinco anos após a construção da residência.
Quem assumiu os negócios, inclusive, foi sua mulher, Maria Clara de Abreu Leão, filha do Visconde de Nácar. Após a morte da matriarca, filhos e netos do casal viveram nas dependências do palacete até o final dos anos 1970. A IBM Brasil comprou o Palacete dos Leões, em 1984, e na parte de trás do terreno (de quase 10 mil metros quadrados) construiu um prédio para abrigar os escritórios e funcionários. Desde então, o palacete passou a funcionar como Espaço Cultural. Hoje, o imóvel pertence ao BRDE. (F.G.)





