Países ricos injetam dinheiro nos bancos para evitar pânico
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de setembro de 2001
Das agências<BR>De São Paulo 
As principais au toridades da eco nomia mundial lançaram uma operação con junta ontem na tentativa de asse gurar a estabili dade dos merca dos, que viveram ontem, depois dos ataques terroristas, o dia mais conturbado desde o crash de 1987. O temor é que a escassez de crédito estrangule de vez a economia. Para evitar a explosão dos juros e combater uma eventual corrida aos bancos, o Fed (banco central dos EUA), o Banco Central Europeu e o japonês injetaram bilhões no sistema.
Ministros e presidentes dos BCs do G7 emitiram um comunicado conjunto em que afirmam que combaterão a desestabilização da economia, sobretudo garantindo a liquidez (disponibilidade de recursos) do sistema financeiro. Alan Greenspan, presidente do Fed, pediu às autoridades monetárias do planeta que tentassem controlar os negócios com dólar, a fim de evitar movimentos perigosos nos mercados globais de moeda. A Casa Branca e o FMI (Fundo Monetário Internacional) também tentaram conter o pânico dos mercados.
Nem durante a Guerra do Golfo (1991), que jogou o preço do petróleo às alturas, houve reação igual. Ainda assim, autoridades financeiras reconheceram que a economia internacional, já debilitada e à beira da recessão, dificilmente escapará ilesa do atentado.
Horas depois das explosões em Nova York e Washington, o Fed já anunciara que iria oferecer aos bancos créditos mais baratos. O Fed injetou ontem US$ 38,25 bilhões nas reservas temporárias usadas para irrigar o sistema bancário. ''É cerca de dez vezes a média diária'', avaliou Jeoff Hall, economista da financeira North America Thomson.
O Federal Reserve pôs à disposição dos bancos, por tempo indeterminado, o instrumento chamado ''window discount'', usado em situações críticas. A taxa de juros de curto prazo é de 3%, 0,5 ponto percentual abaixo da taxa normal. Com medo de demonstrar problemas de caixa, os bancos tendem a relutar em procurar esses recursos. Os bancos centrais da Europa e Japão teriam disponibilizado US$ 80 bilhões.
Muitos analistas traçaram paralelos entre a atual apreensão dos mercados e o crash de 87. Foi naquela crise que o Fed, cuja presidência havia acabado de ser assumida por Alan Greenspan até hoje no posto , tinha usado pela última vez o ''window discount''. Especulava-se ontem que poderia ser anunciado um corte na taxa de juros, da mesma maneira que ocorreu em 1987. Naquela crise, a atuação resoluta de Greenspan foi tida com fundamental para evitar uma recessão. A dúvida é até que ponto a história se repetirá.


