'Pais também querem benefício'
Durante anos seguidos, o Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região Metropolitana incluiu na pauta de negociação com o sindicato patronal o direito do benefício da creche se estender aos pais funcionários. ''Também queremos amparo. Existem muitos casos de pais que possuem a guarda dos filhos e não têm direito a creche. O direito não deveria ser restrito às mulheres. Mas também pedimos que a empresa faça o reembolso total do custo da creche e também que amplie o período de cobertura, que hoje é para crianças de 0 a 6 meses'', diz o metalúrgico Laércio Marques de Souza, de 42 anos.
''Acaba que esses pais ficam de mãos atadas porque não conseguem vaga nas creches municipais e as particulares são caras'', expõe Laércio que gostaria de ter o benefício para colocar na creche a neta de três meses, que é sua dependente, porque a mãe da criança trabalha o dia inteiro.
A luta pelo benefício também é antiga para o metalúrgico Douglas da Silva Queiróz, de 29 anos. Embora a filha, Irene Cristine, já tenha sete anos, ele acredita que a causa é justa e pode vir beneficiar outros colegas da categoria.
''Quando a Irene era menor eu tinha esperança de conseguir o benefício, até porque minha esposa tinha problemas de saúde. Mas acabou que tive que pagar por uma particular mesmo, porque nas municipais não encontrei vaga. Preferi pagar para que a Irene tivesse a oportunidade de iniciar o processo de aprendizagem'', conta Douglas, que hoje cuida da filha sozinho.
O Departamento da Mulher do Sindicato dos Metalúrgicos informa que o benefício da creche pouco se aplica para a categoria, já que cerca de 90% dos metalúrgicos são homens.®MDBO¯®MDNM¯ Segundo o acordo coletivo, as empresas repassam 20% do salário base para subsidiar creche para os filhos das funcionárias.
Bons exemplos - Segundo Amilton Stiva, da Fiep, as empresas de capital aberto ou estatais já praticam o benefício da creche para os seus empregados, seguindo convenções coletivas de trabalho ou como uma ação de responsabilidade social. A montadora Volvo, sediada na Cidade Industrial (CIC), oferece o auxílio-creche para todas mães-funcionárias que tenham filhos com idade entre 0 e 6 anos e 11 meses, desde 1995.
Hoje são 35 mulheres que recebem o valor mensal de R$ 235 por filho. ''®MDNM¯O interesse da Volvo é dar mais tranquilidade às funcionárias mães, estimulando a diversidade e garantindo que elas permaneçam no trabalho e invistam em suas carreiras'', diz Sônia Gurgel, gerente de RH da Volvo do Brasil, informando que só no ano passado a Volvo Brasil investiu R$ 103 mil neste programa.
O Boticário optou por criar uma creche dentro das dependências da empresa, em São José dos Pinhais, em 1997. O Centro Educacional Annelise Krigsner dispõe de berçário e trabalha propostas pedagógicas avançadas aliadas a uma educação voltada para a convivência, bom relacionamento e o desenvolvimento da criança, segundo a assessoria de imprensa do Boticário. Lá são atendidas 115 crianças, de 4 meses a cinco anos de idade, filhas de 107 funcionários, sendo 76 mães e 31 pais. (F.G.)





