País sofreu segundo 'bombardeio'
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terça-feira, 11 de setembro de 2001
Agência Estado 
Em toda a história dos Estados Unidos, apenas em uma circunstância houve um ataque direto a seu território: o bombardeio dos japoneses à base norte-americana de Pearl Harbor, no Havaí. ''Essa é a segunda vez que os Estados Unidos são 'bombardeados' e isso pode ter como consequência uma guerra'', disse Hercíria Mara Facuri Coelho, historiadora da Faculdade de História, Direito e Serviço Social da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Franca (SP). Ela estudou a migração árabe para o Brasil no final do século 19 e início do século 20.
''Nenhum civil norte-americano morreu na Primeira e Segunda Guerras, exceto em Pearl Harbor'', lembrou. ''Se (o presidente dos EUA, George W.) Bush transformar esse ataque em questão de honra, há um perigo real de que isso vire uma guerra'', completou.
O ataque de ontem se diferenciou do praticado em Oklahoma porque atingiu mais de um local, e dois deles são centros de decisão do governo: o Departamento de Estado e o Pentágono. A tática lembra muito mais uma guerra do que um ato isolado de grupo terrorista.
A relação entre o ataque de ontem e uma guerra se dá pelo fato da suspeita de que este seja um ato praticado por árabes muçulmanos adeptos da ''guerra santa''. Segundo Hercíria, Maomé elaborou uma doutrina em que uma das idéias é de que a pessoa que morre em defesa da fé consegue a salvação, ou seja, poderá viver junto a Alá. Um exemplo desse tipo de ação são os homens-bomba, pessoas que colocam explosivos em seu corpo e vão em locais públicos para detoná-los.
''A guerra santa se espalhou rapidamente nos séculos VII e VIII da Arábia pelo Oriente, passando pelo norte da África, na região do Mediterrâneo, entrando pela Península Ibérica e indo até a França, parando nos Pirineus (que dividem a França e a Espanha)'', disse. Ela explicou que os árabes eram muito mais cultos do que os europeus na Idade Média: já tinham universidades, e se destacavam na ciência, como Medicina e Matemática.
A historiadora comentou que o fanatismo religioso que cerca os muçulmanos não é algo exclusivo dos árabes. ''Não é nada diferente do que os cristãos fizeram nas Cruzadas (expulsão dos árabes de Jerusalém, a Terra Santa para o Cristianismo) na Europa medieval'', comentou. O fato de haver palestinos comemorando o ataque aos EUA, segundo ela, é normal para eles, uma vez que estão acostumados com a idéia da guerra santa.
Depois da Segunda Guerra, os países tiveram de entrar em um acordo para que o povo de Israel tivesse suas terras. Hoje, judeus e palestinos estão em conflitos motivados em parte por causa dessa divisão de território. ''Nos Estados Unidos, os judeus têm um poder forte e o presidente Bush abandonou a mesa de negociação'', lembrou. ''Para os muçulmanos árabes, os Estados Unidos são inimigos porque apóiam Israel'', completou.
Em suas pesquisas sobre a migração árabe para o Brasil, Hercíria notou que os árabes que vieram para o País, em um primeiro momento, eram maronistas, cristãos ortodoxos. Em cidades grandes como São Paulo, construíram as igrejas ortodoxas, mas em cidades do interior, onde não havia condição para que tivessem uma igreja, eles passaram a frequentar a Igreja Católica. ''Somente na segunda metade do século 20 é que os muçulmanos vieram para o Brasil'', contou.


