Curitiba - Crianças e adolescentes que têm pais que apresentam poucos limites na educação, não impõem regras dentro de casa, não elogiam os filhos quando merecem, mantêm pouco diálogo e, para piorar, levam uma vida conjugal com muitas brigas e desentendimentos, se ainda não são depressivos ou estressados, são fortes candidatos a desenvolver esses tipos de comportamento.
Por outro lado, pais que conseguem equilibrar a educação, apresentando muitas regras e limites, mas também muito afeto e envolvimento com o dia-a-dia de seus filhos, têm mais chances de gerar crianças e adolescentes com alto grau de auto-estima e, consequentemente, com menor tendência à depressão.
Essas são algumas das conclusões da pesquisa desenvolvida no Laboratório de Análise do Comportamento Humano do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Com objetivo de estabelecer se o comportamento dos pais tem alguma influência sobre a incidência de estresse e depressão nos filhos, 500 crianças e adolescentes de escolas públicas e privadas de Curitiba, com idade entre 10 e 15 anos, responderam a questionários com perguntas sobre seus pais.
Um dos resultados preocupantes refere-se ao total de incidência. Quinze por cento dos pesquisados apresentaram sintomas de depressão e estresse. Desses, 56% disseram que os pais são negligentes e não demonstram afeto para com os filhos. Outros 26% deram respostas que apontam que seus pais são autoritários, ou seja, apresentam limites e regras, mas não compensam essas exigências com mais afeto e apoio.
''As pessoas acham que as crianças ficam estressadas porque têm muitas atividades ou são muito cobradas. E é exatamente o contrário. A criança não fica estressada porque tem pais autoritários, mas sim porque recebe muita punição, não são elogiadas, os pais não participam da sua vida, não conversam em casa'', diz a psicóloga Lidia Weber, professora da UFPR responsável pela pesquisa.
Para ela, o estudo deixou claro que depressão e estresse estão relacionados com o tipo dos pais, ''ou não haveria tantas respostas ligadas à negligência''. Entre a meninada com estresse e depressão, chama atenção a quantidade de respostas com avaliação negativa sobre os pais. 73% afirmam que os pais têm pouco relacionamento afetivo com eles; 72% dizem que recebem poucos elogios e incentivos; 70%, que os pais se envolvem pouco. Grande parte (72%) também afirma que os pais impõem poucos limites.
Nas respostas à pesquisa é possível detectar os problemas vividos pelas crianças. ''O que mais me deixa triste é quando eu tiro nota alta e ele nem liga''; ''meu pai quase nunca diz que eu fiz bem alguma coisa''; ''se eu tiro nota 9, minha mãe fala, não poderia ter sido 10?''; ''meus pais não estão dormindo na mesma cama, meu pai arrumou outra cama e colocou no salão de festas, nem vejo mais meu pai...''; ''para mim mais é a mãe, porque a mãe dá conselho, explica as coisas pra gente, e o pai não dá atenção, não quer saber de nada'', disse outro adolescente.
Outra pesquisa com crianças e adolescentes mostra que crianças com auto-estima mais elevada têm pais participativos, caracterizadios por apresentar melhores práticas educativas. Já as crianças com auto-estima baixa têm pais com estilo negligente. Nesse caso, a auto-estima está ligada a relações com alto grau de afeto e de envolvimento dos pais. Ou seja, pais que expressam seus sentimentos (dar beijos, abraços, alegria etc.), demonstram orgulho e valorizam seus filhos têm comportamentos que são importantes na construção da auto-estima dos adolescentes. Prova disso é o que escreveu um garoto de 13 anos: ''Os meus pais são os melhores pais do universo para mim, pois me ajudam sempre nos momentos difíceis de minha vida e sempre me aconselham a fazer a coisa certa e é por isso que eu amo minha mãe e meu pai''.

mockup