Quando o assunto é sexo, curiosidade não falta. Na relação entre pais e filhos, o que falta mesmo é coragem de tirar aquela série de dúvidas que pairam na cabeça dos mais jovens. Mesmo com a maior abertura adquirida graças ao aumento do número de informações sobre sexo, ainda existe uma barreira que precisa ser quebrada na relação familiar.
''O pai empurra para a mãe, que empurra para o pai. Eles devem se lembrar de quando eram adolescentes, de que precisaram do apoio dos pais e não tiveram. Tem de conversar, acabar com os tabus e orientar. Se ele não aprender da forma correta em casa, vai aprender errado fora'', garante a psicóloga Denise Tinoco.
A dica é tratar do assunto desde cedo, sem máscaras e de forma que a criança possa compreender. ''Não depende da idade. Quando ela começar a ter dúvidas de porque os pais dormem juntos, beijam na boca, querer saber como ela nasceu, tem de explicar em uma linguagem clara, sem termos científicos. O que não pode é ignorar o assunto, inventar histórias'', orienta a psicóloga.
Sexo na escola - Materiais sobre sexo, como os publicados pela FOLHA, estão servindo de instrumento para discutir o assunto entre os alunos. O educador sexual Ricardo Desidério acompanha a coluna desde o início, e recorta os artigos para usar durante as aulas. ''A turma nunca fica tão quieta como quando levo os artigos para falar sobre sexo. Muitas vezes são situações que eles vivem, problemas pelos quais todos passam mas que têm receio de perguntar''.
Desde janeiro, Desidério passou a escrever para a coluna da FOLHA e reuniu treze artigos publicados no jornal em livro: ''Se você não fala, eu falo! - Sexualidade em Artigos'', lançado em agosto. ''É uma linguagem clara, qualquer um entende. O livro é direcionado a professores que pretendem levar o assunto para dentro da sala de aula. Ainda falta informação sobre sexo, e quanto mais formas tiver de levá-la aos jovens, melhor''.(M.F.)

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