Nos casos das estudantes Adna e Denise, as famílias são as grandes apoiadoras. Não existe cobrança, apenas apoio e incentivo dos pais. Mas nem sempre é assim. Em muitos casos, os pais precisam de orientação para ''segurar'' a ansiedade ''igual ou até maior'' que a dos filhos nesse período de decisões. ''É preciso saber a hora certa de pressionar, para que eles se dediquem mais aos estudos, e de apoiar, quando eles ainda estão indecisos na escolha da profissão''.
A médica Rossana Graciano de Resende, mãe de Fabrício, de apenas 17 anos, vive o drama do primeiro vestibular do filho, que vai tentar o curso de Odontologia, bastante concorrido. ''A expectativa é muito grande e os pais sempre querem que os filhos passem no primeiro vestibular''.
Segundo a mãe, Fabrício está tranquilo. ''A ansiedade maior é minha e da família''. Mas Rossana afirma que não haverá cobranças, pelo menos não agora. ''A partir do segundo vestibular é diferente, a cobrança será um pouco maior. Mas tudo dentro dos limites dele''.
A escolha do curso também foi decisão de Fabrício. ''Ele sempre quis Odontologia. Acho que a profissão é uma escolha muito pessoal. Já é difícil ganhar dinheiro e se você faz algo que não gosta, é mais difícil''.
A mãe afirma que, se o filho não for aprovado, o resultado não será frustrante. ''Também prestei um vestibular concorrido e sei o que isso significa, principalmente nos dias de hoje. Não acho que será frustrante. Estaremos sempre prontos a apoiá-lo. Ele é jovem, tem um tempo enorme pela frente''.
Em muitos casos, a família deixa o adolescente tão à vontade para escolher a profissão, que o vestibulando entende que os pais não estão preocupados com ele. A psicóloga Celi Lovato afirma que muitos alunos interpretam de forma errada esse comportamento dos pais. ''Tem aluno que chega chorando na minha sala, dizendo que os pais não estão nem aí. Eles interpretam a atitude da família de forma errada. Por isso, é importante saber a medida certa entre pressionar e apoiar''.
Famílias que pressionam muito, geram insegurança no estudante. ''Cobranças do tipo: 'Com essa profissão você não vai ganhar dinheiro'; 'Tente outro curso melhor', não ajudam em nada'', afirma a psicóloga.
Além da auto-cobrança, o vestibulando tem ainda o medo de decepcionar os pais. ''Muitos alunos me dizem que os pais confiam que eles vão passar no vestibular. Qualquer coisa que se diga tem de ser muito pensada, para não mexer com a auto-estima e a confiança do filho''.
Atitudes simples podem ajudar e fazer com que o filho se sinta mais seguro. ''Apoiar no estudos fazendo silêncio, buscando na escola num sábado, liberando dos afazeres domésticos. São detalhes que muitas vezes fazem a diferença, porque nesta época, o mais tranquilo dos estudantes fica agitado''.
A psicóloga explica que não é um período fácil, mas com paciência e carinho, é possível passar de forma mais tranquila por esta fase. ''O ideal é trazer o filho para perto, demonstrar o quanto ele é amado. Afinal, a família é sempre o porto seguro dos filhos''. (M.O.)

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