Curitiba - O câncer infanto-juvenil, que aparece entre crianças de zero a 15 anos, é que o que tem o maior índice de cura: cerca de 80% dos pacientes conseguem vencer a doença. E as principais razões para isso é o tipo da doença e, principalmente, a descoberta precoce. Nessa faixa etária os sintomas não costumam ser silenciosos, como muitas vezes acontece com os adultos. É por isso que os pais têm que ficar atentos.
‘‘Muitas vezes os sintomas passam despercebidos porque imitam os de outras doenças. É por isso que o médico tem que valorizar todos os dados e os pais têm que prestar atenção nas mudanças no filho’’, explica o oncologista pediátrico do Hospital Erasto Gaetner, em Curitiba, que possui uma ala especial para crianças com neoplasia, Dionísio Abrão. ‘‘Por exemplo. Às vezes a criança cai, se machuca e dias depois aparece um caroço no local. Os pais podem tratar como se fosse decorrência do machucado, mas as vezes é só coincidência e, na verdade, é um sintoma’’, explica Abrão.
As neoplasias mais comuns na faixa etária de zero a 15 anos, segundo Abrão, são leucemia linfóide e tumor no sistema nervoso central. No primeiro caso, explica o médico, os sintomas principais são palidez e dores ósseas. Já no segundo, desmaios e vômitos. ‘‘É importante também ficar atento a qualquer tipo de íngua (caroço) no corpo ou se a criança apresenta diárreia e depois dificuldade para evacuar com freqüência’’, exemplifica.
Antonio Carlos e Brígida Kikuta no começo acharam que as dores nas costas que Gustavo, 10 anos, estava sentido era por causa dos esportes. Afinal, o garoto praticava futebol, natação e andava de bicicleta com freqüência. Porém, em menos de uma semana as dores ficaram agudas e os médicos fizeram os mais variados diagnósticos, apontando até causa psicológica pela falta do pai, já que na época Antonio Carlos estava viajando. Isso até que as pernas de Gustavo paralisaram. Ele tinha um tumor na coluna cervical e seu diagnóstico correto era leucemia mielóide.
‘‘Todo esse processo não durou nem duas semanas. E daí já viemos para Curitiba, começar o tratamento no Erasto. Para o tratamento, que já dura quatro meses, foi importante a descoberta precoce’’, conta Brígida. O casal, que morava em São Paulo, vendeu a escola que possuía e se mudou para Curitiba para que Gustavo fizesse o tratamento no hospital que eles já conheciam. Agora o garoto faz o tratamento e espera encontrar um doador de medula óssea compatível.

mockup