A Fundação Cultural de Curitiba deu início aos trabalhos de restauração dos cinco painéis em mosaico de vidro, localizados na entrada do Cemitério Municipal São Francisco de Paula. Os painéis, de autoria do artista plástico Franco Giglio (1937-1982), estão sendo restaurados por uma empresa especializada, com recursos do Programa de Recuperação do Patrimônio Histórico do Fundo Municipal da Cultura.
A equipe de restauro retira os painéis da porta do cemitério e realiza a limpeza e a recuperação das peças. As ações para o restauro dos painéis, considerados bens culturais de interesse de preservação, tiveram início em 2005. Com o apoio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, a Fundação Cultural contratou uma empresa com experiência em restauração de obras de arte, para avaliar a situação dos mosaicos e elaborar uma proposta técnica de intervenção.
A realização do pórtico com mural do artista plástico italiano Franco Giglio fez parte do programa de melhorias para o cemitério no início da gestão do prefeito Ivo Arzua, em 1964. A encomenda previa a execução de um mural ornamental sacro, em pastilhas vitrificadas, no portão principal.
Com 110 metros quadrados, o mural foi realizado num processo direto - o desenho foi elaborado na argamassa e colocado depois no painel por meio de pastilhas de vidro, numa composição com características estilizadas que lembram os períodos da arte bizantina/gótica. Franco desenvolveu uma narrativa que descreve com maestria e sutileza cenas de almas tentando entrar no céu, guiadas e protegidas por anjos tocando trombetas. Nas extremidades laterais, compõe o painel uma citação de Fagundes Varela. De matizes predominantemente azuis e verdes nas figuras e usando como fundo o branco, o artista obteve a representação de um cenário celestial que o local inspira.
O painel foi instalado no Cemitério Municipal em 1966, na entrada da antiga capela. Sofreu uma primeira intervenção em 1985. Depois, em 1995, foi transferido para o novo pórtico do cemitério. Em 1997 passou por outros trabalhos de recuperação.
O mural foi uma das primeiras obras de Franco Giglio em Curitiba. Nascido na Itália, o artista veio para o Brasil em 1956, instalando-se na capital paranaense, onde deixou grande parte de sua produção artística.

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