Padre optou pela naturalização
A Sociedade Filantrópica Humanitas, de São Jerônimo da Serra, completa, neste ano, duas décadas de trabalho junto aos hansenianos, e deve isso a um imigrante japonês que chegou, ficou e até naturalizou-se - o Padre Haruo Sassaki, 69 anos. Ele também é fundador da Pastoral Nipo-Brasileira e ajudou a construir a Igreja Imaculada Conceição, ambas em Londrina.
Humilde, Padre Sassaki credita os bons resultados da Sociedade às pessoas que trabalham com ele. Graças a Deus sempre encontro pessoas boas. A minha equipe trabalha muito, eu fico só descansando, diz, rindo.
Haruo Sassaki chegou ao Brasil em 1958, e afirma que trabalhar com leprosos foi uma atividade que aconteceu por acaso. Em 1973, durante a Semana Santa, estava em São Jerônimo da Serra, e encontrou um hanseniano na rua. Ouvi dizer que eles estavam abandonados e bastante carentes, observa.
Interessado, o padre conta que fez uma rápida pesquisa e constatou que havia no município cerca de 120 hansenianos. Decidi começar a trabalhar com eles, resume. E, especialmente para se dedicar aos leprosos, ele começou a cursar Serviço Social na Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Em 1977, ele fundou a Sociedade Filantrópica Humanitas, com doações do Japão e da Alemanha e muita boa vontade das pessoas. Padre Haruo Sassaki lembra que na época o preconceito contra os doentes era bastante grande. E cita como exemplo os hansenianos que vendiam verduras de porta em porta. As pessoas não queriam nenhum contato. Mandavam os empregados entregar o dinheiro e nem ficavam com as verduras, explica. Hoje, ele acredita que a rejeição aos doentes, pelo menos no município, acabou.
Sob controleMas a grande vitória que ele comemora é que, no ano passado, não foi registrado nenhum caso novo da doença no município. Apareceram 65 casos novos, mas nenhum daqui, afirma, lembrando que a Sociedade atende pacientes de cerca de 40 municípios da região. Nestes 20 anos, foram cadastrados pela Sociedade cerca de 800 hansenianos. Deste total, ele acredita que mais de 200 receberam alta, alguns faleceram e outros desapareceram. Atualmente, estamos trabalhando com mais ou menos 400 hansenianos, observa.
No hospital que é mantido pela Sociedade Humanitas, explica Padre Sassaki, são atendidos todos os pacientes com problemas dermatológicos. Ele afirma que o trabalho, antes exclusivo aos hansenianos, foi estendido para que não parecesse uma discriminação contra os pacientes. Além do atendimento aos doentes, a Sociedade faz também pesquisas sobre a doença, em conjunto com o Instituto Nacional de Hanseníase, do Japão.
Incansável, há dois anos, Padre Sassaki vem se dedicando a uma outra atividade: cuidar das crianças de rua. Em convênio com o Governo do Estado, ele vem desenvolvendo o Projeto da Rua para a Escola. São atendidos 68 adolescentes, de 12 a 18 anos, que, além de frequentarem a escola, fazem cursos profissionalizantes. As famílias dos adolescentes recebem uma cesta básica mensal. (L.O.)





