Esquecer que existe governo e colocar nas mãos da sociedade a tarefa de pôr a economia nos trilhos. Essa é a tônica do ‘‘Pacto de Londrina’’, criado por quatro entidades de classe - Sindicato Rural, Associação Comercial e Industrial, Sinduscon e Sociedade Rural - que estão dispostas a atuar diretamente na condução do desenvolvimento de Londrina - e criar a marca própria da cidade.
Edison Mazzei Ponti, presidente do Sindicato Rural, diz que o acordo entre as entidades surgiu da idéia de descentralizar o poder de decisões, discutindo e propondo soluções concretas para os problemas locais. ‘‘Temos que exercitar os nossos poderes de organização de classe’’, afirma o líder ruralista.
Nessa empreitada de planejar a Londrina do ano 2000, as propostas já surgem. Uma delas é a criação da ‘‘marca Londrina’’, estimulando o consumo de produtos locais entre a população. A briga por um ramal do gasoduto Brasil-Bolívia está na agenda dos integrantes do grupo, assim como alternativas para estimular a agroindústria e agregar preço ao produto do campo.
‘‘Precisamos, por exemplo - diz Ponti - de estradas rurais em boas condições para baratear os custos de produção, agilizar o escoamento da safra, reduzir perdas. Então, discutimos alternativas para viabilizar essa meta’’, afirma. As entidades representativas de outros setores encaminham para o ‘‘Pacto’’ , igualmente, as suas propostas - que são discutidas pelos demais setores da sociedade. ‘‘São ações práticas que buscam alternativas de desenvolvimento’’, diz.
Para o presidente do Sindicato Rural, criatividade vai ser a palavra de ordem nos próximos anos para sustentar o desenvolvimento meteórico que o município experimentou nas últimas décadas. No campo da agropecuária, o desafio é expandir a agroindústria, estimular as variantes das pesquisas, explorar as oportunidades de turismo ecológico, dar impulso na direção do progresso. ‘‘Temos que aproveitar a onda da modernidade e dar uma boa surfada’’, diz.
O setor rural, como o elo mais fraco da cadeia produtiva ‘‘no Brasil e no mundo’’, como compara o presidente do SR, precisa de uma força extra, diz Ponti. ‘‘Nessa área, não há saída. É preciso repetir o que se faz no mundo todo e abrir concessões para a atividade’’.
O presidente lembra que a produção de alimentos é a base de toda a cadeia produtiva. Portanto, o setor é estratégico para o desenvolvimento. ‘‘É simplesmente o ponto de partida para toda e qualquer atividade. Nos centros desenvolvidos, isso é valorizado. Mas aqui não’’, reclama.
Exaurido por sucessivos prejuízos nos últimos anos e inserido em um ambiente econômico adverso, o setor agrícola não conseguirá retomar o crescimento em menos de dois anos, estima o produtor-dirigente. ‘‘A defasagem cambial, o custo Brasil e os juros altíssimos tiraram totalmente a competitividade do produto brasileiro. A concorrência é desigual’’. Para sobreviver nesse cenário desfavorável, serão necessárias medidas criativas, ele afirma. ‘‘Temos que pensar localmente’’, reflete Ponti.

mockup