Paciornick, o médico da família
Pela mãos do obstetra Moisés Pacionirck passaram gerações de curitibanos. Com quase 50 anos de profissão, o médico conta que realizou o parto da avó à neta de diversas famílias de Curitiba. Pela confiança que conquistei durante minha carreira, muitas pacientes retornaram com suas filhas e netas pedindo para que conduza a gestação de seus futuros netos e bisnetos, conta o médico, que é um dos defensores do parto de cócoras.
Paciornick se considera um médico de família. Por conhecer bem cada um dos pacientes, ele é capaz de identificar quais são as doenças daquela pessoa e, também, quando as queixas são apenas frutos de reações psicossomáticas. O médico de família cria um vínculo com o paciente, que é muito próximo da amizade; por isso, conhece o histórico familiar e sócio-econômico de cada pessoa, acrescenta o clínico geral Sebastião Cláudio Vasconcelos - conhecido pelos seus pacientes como Dr. Cláudio.
Vasconcelos, que deve entrar no livro dos recordes (Guiness Book) pelo número de atendimento, cerca de 132 mil em 30 anos de profissão, diz que este relacionamento possibilita ao médico a solucionar tantos problemas físicos como os familiares. Quando um paciente vem para consultar sobre uma úlcera, tento descobrir qual é a causa dela e solucioná-la, diz. Ele afirma que se o problema é a mulher que gasta dinheiro além do orçamento, procura orientar o marido a sugerir a esposa que economize. Normalmente, esta avaliação resulta na melhora da doença.
Vasconcelos define o médico de família com um profissional que necessita, além de saber bem a medicina, ter conhecimento de psicologia e muita paciência para escutar o cliente. É preciso se inteirar sobre a vida do paciente e confiar no que o paciente diz, comenta. Outra qualidade que deve ter o profissional é estar disponível a qualquer hora do dia para atender o doente. O meu paciente sabe que quando precisa de ajuda basta ligar para minha casa ou consultório, que rapidamente vou atendê-lo, afirma.
Por estas qualidades, normalmente o paciente evita mudar de clínico e por isso leva seus filhos e netos para se consultar com o mesmo médico. Mesmo quando o atendimento não corresponde à especialidade que trabalhamos, o paciente nos procura, porque confia na indicação que vai ser dada, avalia o obstetra Moisés Paciornick.
Esta confiança e relacionamento muitas vezes ultrapassam as sala do consultório. Já fui convidado para batizados, casamentos e aniversários de muitos dos filhos de meus pacientes, comenta Paciornick, acrescentando que em determinados casos acaba se tornando amigo de muitas famílias atendidas.
Paciornick se queixa que hoje este relacionamento entre médico e paciente esfriou um pouco. Por causa dos convênios, muitos pacientes acabam sendo obrigados a se separar de seus médicos de confiança, porque eles não tem vínculos com esses convênios, comenta. Para o obstetra, esta atitude é muito ruim.
No entanto, Vasconcelos, que não atende por convênios, é mais otimista. Já existem universidades que estão criando especialização na área de médico familiar, conta, citando como exemplo a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR).Kraw PenasPaizãoDr. Paciornick, em visita a uma paciente: críticas aos planos de saúde e amizade e conhecimento profundo dos clientes durante cinco décadas de trabalhoIsrael Reinstein





