Pacientes são mais tranqüilos que os adultos
PUBLICAÇÃO
domingo, 13 de fevereiro de 2005
Adriana Savicki<br>Reportagem Local 
Sem os preconceitos que intimidam os adultos só de ouvir a palavra, as crianças com câncer são pacientes bem mais tranqüilos que os adultos. A informação é da chefe do serviço social do Hospital do Câncer (HC) de Londrina, Celeste Epiro de Souza Campos.
A criança se incomoda com a febre, com o incômodo da doença, mas assim que esses problemas são resolvidos ela volta ao normal, eles sofrem apenas com o imediato e por isso são mais fáceis de se levar, afirma. Essa boa disposição infantil ao problema também tem seu incentivos. No HC, desenhos infantis colorem paredes e palhaços e contadores de histórias estão sempre presentes. Isso aqui não vive só de tristeza não, argumenta.
Se para o paciente mirim enfrentar o câncer não tem a mesma carga psicológica carregada pelos adultos, os pais, esses sim, recebem todo o impacto do problema. Os pais sofrem muito mais que os filhos, primeiro eles ficam sem chão, depois passam pela fase da revolta e da superproteção, afirma.
É nessa hora que a equipe do hospital entra com acompanhamento psicológico. Não há como negar que o tratamento de câncer é desconfortável e longo, o que causa uma desestruturação familiar: é o pai ou a mãe que tem que deixar o trabalho ou a família para cuidar da criança, é o irmãozinho que se sente esquecido. Enfim, precisamos trabalhar com todas essas questões, comenta.
Há 18 anos no departamento, Celeste revela que o paciente infantil também mexe mais com a equipe e a perda de uma criança é mais difícil de lidar, mesmo profissionalmente. Já tive pacientes com os quais chorei junto e chorei com a mãe depois, relembra. Você tem que ver o paciente não como um doente, mas como uma pessoa a qual você pode ajudar, finaliza.


