Sem os preconceitos que intimidam os adultos só de ouvir a palavra, as crianças com câncer são pacientes bem mais tranqüilos que os adultos. A informação é da chefe do serviço social do Hospital do Câncer (HC) de Londrina, Celeste Epiro de Souza Campos.
‘‘A criança se incomoda com a febre, com o incômodo da doença, mas assim que esses problemas são resolvidos ela volta ao normal, eles sofrem apenas com o imediato e por isso são mais fáceis de se levar’’, afirma. Essa boa disposição infantil ao problema também tem seu incentivos. No HC, desenhos infantis colorem paredes e palhaços e contadores de histórias estão sempre presentes. ‘‘Isso aqui não vive só de tristeza não’’, argumenta.
Se para o paciente mirim enfrentar o câncer não tem a mesma carga psicológica carregada pelos adultos, os pais, esses sim, recebem todo o impacto do problema. ‘‘Os pais sofrem muito mais que os filhos, primeiro eles ficam sem chão, depois passam pela fase da revolta e da superproteção’’, afirma.
É nessa hora que a equipe do hospital entra com acompanhamento psicológico. ‘‘Não há como negar que o tratamento de câncer é desconfortável e longo, o que causa uma desestruturação familiar: é o pai ou a mãe que tem que deixar o trabalho ou a família para cuidar da criança, é o irmãozinho que se sente esquecido. Enfim, precisamos trabalhar com todas essas questões’’, comenta.
Há 18 anos no departamento, Celeste revela que o paciente infantil também mexe mais com a equipe e a perda de uma criança é mais difícil de lidar, mesmo profissionalmente. ‘‘Já tive pacientes com os quais chorei junto e chorei com a mãe depois’’, relembra. ‘‘Você tem que ver o paciente não como um doente, mas como uma pessoa a qual você pode ajudar’’, finaliza.

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