Pacientes falam de libertação de traumas e bloqueios
Dois meses de psicoterapia com EMDR foram suficientes para "libertarem"a enfermeira Jaqueline Finau, 38 anos, do medo de dirigir. Ela tirou a carteira, há 18 anos, mas dirigiu apenas alguns dias. Chegou a comprar um carro, que nunca saiu da garagem com ela como motorista. "Foi uma vida inteira de sofrimento. Não pude aproveitar mais minha juventude. Imagine que meu pai foi caminhoneiro, todo mundo na família sabe dirigir. Ninguém entendia porque eu não conseguia, era inaceitável, uma vergonha, humilhante mesmo. Era como se eu fosse aleijada, uma retardada", desabafa.
"Fiz sete tipos de terapias diferentes, que duraram anos e nada resolveu. Quanto mais tempo passava, mais ficava difícil retomar a direção. Eu não conseguia nem me imaginar ao volante, me dava um pânico, dor de barriga. Tinha pesadelos dirigindo, que o carro não tinha freio. Perdi bons empregos porque demorava muito para me deslocar de ônibus", lembra. "Já aconteceu de uma pessoa da minha família passar mal e eu ter que pedir ao vizinho para dirigir o carro até o hospital. Por isso só engravidei aos 36 anos, porque queria dar conforto ao meu filho, ter uma vida normal.", completa a enfermeira.
Numa sessão de EMDR, ela descobriu que o bloqueio para direção aconteceu motivado por um trauma na direção, nos primeiros dias como motorista. "Eu era muito insegura e quando um ônibus me trancou, de leve, acabei jogando o carro para cima da calçada e cai em cima de uma pedra enorme. Logo depois, parei de dirigir", relata Jaqueline. "Hoje é até engraçado lembrar do meu bloqueio. Parece algo sem fundamento, que nunca existiu. Eu já me sentia derrotada e cansada de procurar uma cura. Comecei o tratamento em dezembro de 2007 e em fevereiro do ano passado voltei a dirigir. Foi incrível. Passei a vida esperando por isso, pela minha liberdade", conta a enfermeira.
Para otimização do desempenho esportivo, o boxeador Edson Foreman, 31 anos, inicou tratamento com EMDR, há três meses. "Eu estava estressado com tudo que estava acontecendo na minha vida. Nos últimos meses perdi patrocínio por causa da crise, duas lutas foram adiadas, meu pai faleceu, os treinamentos ficaram intensos e para completar comecei a sofrer com uma tendinite e aumentei o peso. No meio disso tudo, nasceu o meu filho", situa o boxeador que é campeão brasileiro e paranense na categoria cruzador.
O treinador dele foi quem recomendou a psicoterapia com EMDR. "Eu mesmo tive preconceito, pensava o que as pessoas pensariam de mim. Mas depois me arrependi de não ter começado antes. Em um mês de tratamento já senti melhoras no meu desempenho. Se a cabeça não estiver bem, o resto do corpo padece", acredita. "Agora recuperei o meu peso normal, estou sem dor. Voltei a correr três vezes (12 quilômetros), por semana, a fazer musculação, a pular corda. Estou 90% melhor. O resultado é impressionante. As pessoas precisam saber disso", comemora Foreman. (F.G.)





