Por ser uma técnica relativamente recente e que passou a ser praticada de um dia para o outro aos borbotões, os problemas com os obesos estão começando a aparecer: Magali Alves de Souza, paciente do SUS, pesava 240 quilos em março de 2000 e perdeu 102 quilos. Mas contraiu uma hérnia abdominal e diz que não pode operar antes de um exame cardiológico prévio que não está disponível em hospitais públicos: ‘‘Eu preciso ficar com aquele aparelhinho 24 horas, mas não consigo fazer esse exame em lugar nenhum. O SUS me deixou órfã de pai e mãe. Sou uma magra de janela, porque da cintura para baixo estou gorda’’.
  Ainda assim, magra de janela, Magali se diz feliz da vida, não se arrepende e faria tudo outra vez. Ela voltou a trabalhar, a se locomover, faz artesanatos, doces e salgados para festas: ‘‘Eu vivia sentada dependendo do meu marido e dos meus três filhos para arrastar uma perna e mudar de posição. Dependia de outra pessoa para levantar e até para tomar banho. Cansei de pedir a Deus para morrer de uma vez. Tinha me transformado num monstro.
  Magali diz que hoje é feliz, tem vaidade, mas adverte que é preciso saber se cuidar: ‘‘Ontem comi uma coxa de peru com maionese de cenoura e tive que forçar o vômito, porque fiquei entalada. Passei mal o dia inteiro, porque vomitar causa muitas dores no peito.’’
  Maria Geralda dos Santos Cunha, de 58 anos, pesava 220 quilos há dois anos, emagreceu 90, mas ficou um ano internada com complicações e até hoje sua barriga não fechou totalmente: ‘‘Deu algo errado comigo. Preciso de ajuda para voltar a viver. Ou então vou me aposentar pelo INSS. Não posso fazer nada’’.
  O cirurgião Fernando Barroso reconhece que há índices de mortes entre 1% e 2%, que caem para 0,5% em pacientes de baixo risco. Ele diz que o paciente deve avaliar a experiência dos médicos e perguntar sobre seus óbitos, lembrando que a cirurgia é uma ferramenta: ‘‘O paciente deve se cuidar para evitar problemas’’.
  Foi o que fez a babá gaúcha Iracema Padilha, de 32 anos. Ela pesava 135 quilos há dois anos e emagreceu 60, mas botou na cabeça que sua vida seria radicalmente diferente. Segue a dieta à risca, faz exames de três em três meses, fez sete anos de terapia e faria tudo outra vez: ‘‘Minha vida se divide em antes e depois da cirurgia: era horrível e agora é ótima’’. (A.O.G.)

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