No jogo da sedução tecnológica, os jovens são grandes conquistadores ou mais facilmente conquistados. ''Nesse mundo globalizado ou você entra na tecnologia ou fica excluído'', justifica o estudante do Ensino Médio, Luiz Teixeira, 17 anos. Ele e alguns colegas, todos estudantes do Colégio Universitário, conversaram com a reportagem da Folha sobre o fascínio que têm com os produtos cada vez mais modernos.
As amigas Bárbara Caroline Scarinci, 14 anos, e Beatriz Colozzi, 13 anos, são as primeiras a revelar: ''Não vivemos sem computador, nem celular''. A opinião vira coro com os meninos: ''Todo mundo fala que sou high-tech'', classifica-se Gabriel Galdino, 13 anos. ''Tenho cinco videogames. Cada vez que uma geração nova de playstation (versão mais atualizada) é lançada, tem jogos novos. Aí eu quero jogar todos'', confessa Luciano Casaroli, 16 anos.
Tal qual numa paixão, eles reconhecem que esse ''derretimento'' pelo tecnológico altera o modo de viver de cada um deles. A principal mudança, apontam, é a pressa. ''Não tenho paciência de esperar um funcionário de fast-food me atender. Se o nome é f-a-s-t f-o-o-d (comida rápida)'', soletra, ''por que a demora?'', argumenta Luciano. ''Eu me irrito com a Internet rápida, que de rápida não tem nada'', afirma Gabriel.
Nesta onda de irritações e impaciências, os pais e a escola também são alvos. ''Não entendo: meu pai tem três celulares e não sabe mexer em nenhum. Mal sabe atender o telefone'', diverte-se Beatriz. Para Bárbara, neste ritmo tecnológico, as aulas é que ficam monótonas. ''Cansa ver todo dia a mesma coisa, ter de ficar prestando atenção'', conta.
Para M.J. Ryan, autora do livro ''O poder da paciência'' (Editora Sextante, 2006), ''a velocidade pode ser divertida e emocionante. No entanto, ela vem com uma etiqueta de preço''. A escritora questiona o que acontece - neste mundo veloz, onde não há espaço para a paciência - com a capacidade do homem de se concentrar e refletir.
''Todas as vezes em que afirmamos que uma coisa é entediante, o que realmente dizemos é que não temos paciência. Em vez de procurar, dentro de nós mesmos, a origem da sensação de tédio - e, portanto, a solução -, olhamos para fora e rotulamos de problema aquilo que nos provoca esse sentimento'', escreve. (G.B.)

mockup