O modelo dos pais é fundamental, segundo a psicóloga Talita Lopes Marques, especialista em transtornos alimentares e obesidade. ''A base para uma criança ter hábitos saudáveis é a família, em especial pai e mãe'', afirma Talita.
De acordo com a psicóloga, é importante que os pais dissociem o lado emocional da comida. ''Quem atribui o valor emocional, seja positivo ou negativo, são os pais. Se a criança aprende a manipular os pais, passa a comer só o que ela gosta. Os pais têm que aprender a lida com a própria ansiedade para lidar com a criança'', ensina.
Talita ressalta que uma alimentação inadequada influencia em tudo. ''Pais que comem por ansiedade vão ensinar seus filhos a fazer o mesmo. Se dão comida para passar o tempo, o filho vai aprendendo a utilizar a comida para outras funções e vai repetir esse comportamento a vida toda'', justifica.
Para Talita, em vez de cortar os doces da alimentação da criança, é preciso adequar quando e como comer, porque a proibição pode levar à compulsão. ''Não é porque tem um dia liberado que vai comer pacotes de salgadinho e tomar litros de refrigerante'', explica. ''Os pais precisam ensinar que não é proibido. Devem ensinar porque não deve ser consumido com a frequência que a criança quer'', completa a psicóloga.
A paciência é o fator mais importante, de acordo com Talita. ''Os pais têm que ter paciência para aguentar a birra, para cozinhar com variedade de alimentos saudáveis. Para que a criança tenha saúde e a relação seja saudável tem que haver investimento nessa relação'', recomenda a psicóloga. (D.R.)

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