Ovos caseiros perdem espaço nesta Páscoa
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terça-feira, 18 de março de 2008
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Muita gente não se rende aos apelos visuais dos supermercados que, nas semanas anteriores à Páscoa, ficam recheados de ''parreiras'' com uma infinidade de ovos de chocolate para atender a todos os gostos. Preferem confeccionar sozinhas os ovos que vão fazer a alegria da criançada ou presentear amigos e familiares. Experts em culinária garantem que a produção caseira pode representar uma economia de até 50% em comparação ao produto industrializado. Outra forma de gastar menos é escolhendo os chocolates artesanais nas feiras ao ar livre: mais baratos para quem compra e uma renda extra para quem vende.
Mas, pelo visto, a possibilidade de uma Páscoa mais econômica, este ano, não atraiu os consumidores às lojas de produtos especializados. A gerente de um dos estabelecimentos visitados pela Folha, Vera Lúcia Barbosa, calcula uma redução de aproximadamente 60% nas vendas de cobertura de chocolate na comparação com o ano passado. Ela conta que, em Páscoas passadas, chegou a encomendar de 20 a 40 caixas de chocolate das marcas mais conhecidas e ia repondo o estoque no ritmo das vendas. Este ano, decidiu pedir apenas cinco caixas de cada marca, pois a saída tem sido muito pequena.
Vera acredita que a antecipação da data, este ano, e o calor atípico da semana passada ajudaram a espantar os clientes. ''Quem não tem muita prática prefere não arriscar por causa do calor com receio de que o chocolate derreta'', supôs ela. A gerente aposta na máxima de que o brasileiro deixa tudo para última hora para ter um impulso nas vendas esta semana. ''Normalmente, o pessoal que tem muitas crianças para presentear procura fazer os ovos em casa. Se não, compram o ovo industrializado mesmo para não ter trabalho'', considerou.
A previsão da manicure e cabeleireira Roseli Kaczyk, que aproveita o período anterior à Páscoa para ter um ganho extra com a venda de chocolate, também não é nada otimista. ''Ano passado, derreti 300 quilos de chocolate. Este ano, não vai chegar a 200 quilos'', estimou. Ela revelou que, na Páscoa de 2007, faturou perto de R$ 4,5 mil com os ovos artesanais, que vende nas feiras de Curitiba. Agora, ficará satisfeita se conseguir lucrar R$ 2 mil. Mas, mesmo com a queda brusca nas vendas, Roseli garante que não irá desistir. ''Não é só pelo dinheiro. É pelo prazer de fazer também. Eu amo fazer chocolate'', destacou ela.
Na barraca da feira de Páscoa da Praça Santos Andrade, a manicure e artesã oferece ovos de preços e tamanhos variados para atender diferentes gostos e bolsos. Os preços vão de R$ 1,00, por um coelhinho de chocolate, a R$ 75,00, valor de um ovo enorme, de três quilos e meio. Outras opções são os ovos de 300 gramas, a R$ 12,00, ou de 850 gramas, a R$ 18,00. Nos supermercados, os tamanhos de ovos que se aproximam desses pesos custam de R$ 24,00 (250 g) a R$ 53,00 (600 g).
Além da Páscoa antecipada, Roseli diz que o local escolhido para a feira também não ajudou, já que a Santos Andrade não tem a mesma movimentação de pessoa como outras praças centrais. Os artesãos foram transferidos da Praça Generoso Marques, por causa da reforma no Paço Municipal, o que não os agradou, garantiu Roseli.
A Associação Brasileira das Indústrias de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab) estima que a produção artesanal de ovos e outros produtos de Páscoa consuma próximo de 3,5 mil toneladas de chocolate, este ano. Outras 22,9 mil toneladas, aproximadamente, foram usadas pelas indústrias na fabricação de 100 milhões de ovos: 7% a mais que na Páscoa passada.


