Um ovo da Páscoa gigante feito com quase sete quilos de chocolate pela tradicional fábrica curitibana Icab vira o delicioso motivo para congregar a família da oftalmologista Maria do Rosário Athayde, 60 anos. Ela e o marido, o desembargador Antônio Loyola, 62 anos, encomendaram o "ovão" para dar continuidade a uma tradição que tem seguramente mais de 50 anos: cada membro da família quebra com um martelinho uma lasquinha da espessa casca do ovo de chocolate para saboreá-lo.
Só que a quebra do ovo não acontece na Páscoa, apenas no Dia das Mães, quando o doce é aberto. "Na época da minha avó, Benedita Taborda Loyola, o ovão era guardado para o dia de Santo Antônio. Eu cresci vendo minha vó fazendo isso. Mas depois, minha mãe, Maria de Nazareth, mudou para o dia das Mães e assim permanece", relata ela, que compra o ovão - que custa a pequena fortuna de R$ 680,00 - com o marido, todos os anos.
"Mas a tradição é cultuada em torno da minha tia Paulina, que tem 102 anos e é a filha da vó Didi. Vamos para a casa dela onde é feito um almoço para toda família", conta Maria do Rosário, dizendo que 40 pessoas se reúnem para "saborear" a tradição. O exagero de chocolate não acaba num único dia. Boa parte fica numa bandeja na casa da tia Paulina, que oferece o doce para as visitas.
"Como a casca é bem grossa, um pedaço já nos satisfaz. Lembro quando era criança e brigava com os primos pelas pombinhas que vem na decoração. O ovão motiva nosso encontro porque nos trás a história da família e celebramos a presença da tia Paulina, que é a nossa matriarca", explica Maria do Rosário. De acordo com a Icab, o ovão leva cerca de três dias para ser feito e decorado artesanalmente, além de ser recheado com coelhinhos de chocolate ao leite maciço. Por ano, apenas dez ovos gigantes são fabricados. (F.G.)

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