Arquivo FolhaFlagranteObjeto não identificado, fotografado em 1982 nos céus de Londrina: cientistas revêem teorias sobre vida extraterrestreO último 17 de abril foi agitado para os jornalistas nos Estados Unidos. A agitação começou por volta do meio-dia (hora de Brasília), quando circulou oficialmente a notícia de que o satélite norte-americano GOES-9 havia fotografado ‘‘um objeto incomum muito grande’’ sobre o Alasca. A notícia foi acompanhada da colocação na Internet da foto no site oficial do Serviço de Meteorologia, onde é feito o acompanhamento permanente das informações do satélite. Em poucas horas, cópias dessa foto espalharam-se pela Internet em todo o mundo.
Uma segunda foto, colocada na Internet meia hora depois, mostrava que o ‘‘objeto’’ havia voado para o sul e estava a noroeste da costa das ilhas Vancouver, no Canadá. Na mesma hora, uma terceira foto mostrava outro objeto semelhante e ‘‘do mesmo tamanho’’ sobre o Oceano Pacífico, cerca de 80 km a oeste de São Francisco.
Meia hora mais tarde, uma quarta foto mostrava que o ‘‘objeto’’ fotografado perto de São Francisco havia desaparecido e que o primeiro ‘‘objeto’’, que havia voado para o sul, era visto de novo sobre o Alasca.
Esses dois objetos foram descritos oficialmente como ‘‘quadrados’’ ou ‘‘retangulares’’, com cerca de 40 km de largura. No mesmo dia, às seis da tarde (Brasília), seis horas depois de essas fotos terem sido feitas e divulgadas, o FBI (Federal Bureau of Investigations), transmitiu um alerta em virtude de uma ‘‘ameaça potencial’’ ao NORAD (Comando de Defesa Aérea da América do Norte), localizado nas Montanhas Cheyenne, 104 km ao sul de Denver, Colorado.
O major general Jeff Grime, comandante do Centro de Operações do NORAD nas Montanhas Cheyenne informou a imprensa de que não havia nenhuma ameaça à cidade próxima, Colorado Springs, ou qualquer outra instalação militar nas redondezas, acrescentando: ‘‘A ameaça está inteiramente centrada aqui’’. Segundo ele, estavam sendo tomadas medidas de precaução para proteger as 1.100 pessoas da base.
Em seguida, o major Steve Boylan, porta-voz do Comando Espacial do Exército, afirmou que ‘‘o alerta nada tinha a ver com o desaparecimento do caça-bombardeiro A-10’’, ocorrido no dia 2 de abril (o avião saiu de sua formação e desapareceu nas Montanhas Rochosas, numa região próxima de onde ficam as Montanhas Cheyenne).
Segundo informações não confirmadas, o alerta era do nível DEFCON-4. O próximo nível de alerta seria o DEFCON-5, alerta máximo, só empregado em caso de ameaça nuclear.
Um dia depois, 18, sexta-feira pela manhã, com o NORAD ainda em alerta, as fotos do GOES-9 foram retiradas da Internet, o que aumentou as especulações e a agitação. À tarde havia tantas especulações em todo o país e no exterior que os cientistas responsáveis pelo GOES-9 tiveram que dar uma explicação oficial. Segundo eles, o ‘‘objeto’’ não era um ‘‘objeto’’ mas o resultado visual de problemas ocorridos com o software do computador que controla o satélite meteorológico. Esses problemas fizeram aparecer imagens nas fotos que foram confundidas com ‘‘objetos’’.
As explicações oficiais sobre o GOES-9 não foram bem assimiladas. Algumas perguntas ficaram no ar. Como cientistas muito experientes puderam confundir um ‘‘objeto’’ na foto com imagens provocadas por um problema no software do satélite? Por que levaram quase dois dias para dar a explicação oficial? Por que usaram a palavra ‘‘objeto’’ em todos os comunicados oficiais, inclusive afirmando que tinha 40 km de largura, e depois negaram que fosse um ‘‘objeto’’?
Quanto aos motivos do alerta em Colorado Springs, o porta-voz do NORAD, Frankie Webster, entrevistado pela agência de notícias Reuters, negou-se a fazer qualquer comentário sobre seus motivos. Apenas confirmou que aconteceu.
No dia 1 de maio, dez dias depois do fim-de-semana de alerta militar e fotos defeituosas do satélite norte-americano, 60% do território chileno - de Santiago até Arica - ficou em total escuridão durante mais de uma hora. Seria um fato raro, porém dentro de padrões normais, se não acontecesse apenas uma semana depois de dois grandes blecautes no Brasil - nos dias 24 e 25 de abril.
Blecautes costumam ser associados pelos ufólogos a avistamentos de objetos voadores não identificados. No Brasil, as horas de escuridão que atingiram grande parte da região Sudeste do país foram provocadas, segundo se informou, por excesso de consumo. No Chile, porém, a explicação foi outra: algas presentes na água teriam entrado nas turbinas da hidrelétrica que abastece o país.
O motivo do problema ainda não havia sido muito bem aceito quando, na sexta-feira, 9 de maio, o Canal 9 de televisão de Santiago divulgou o depoimento de várias pessoas que vivem em Jahuel, uma vila dos Andes, no centro do Chile. Segundo esses depoimentos, um objeto luminoso, muito grande e em forma de disco, voou sobre torres de transmissão de alta voltagem próxima à cidade no dia 1 de maio.
Quando o objeto sobrevoou as torres, segundo as testemunhas, todas as luzes se apagaram, provocando o grande blecaute no país. Depois disso, o objeto voou em grande velocidade e desapareceu no céu, contaram vários habitantes da pequena cidade andina.
No último dia 15 de maio, mais um blecaute no Brasil. Desta vez deixando toda a região central de Belo Horizonte em completa escuridão durante uma hora. A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) não entende o que aconteceu: ‘‘O equipamento atingido é de última tecnologia e passa por revisões periódicas - é quase impossível ter sido apenas um curto circuito’’, afirmaram fontes da companhia à imprensa. A única explicação, não oficial, foi a de uma tentativa de boicote à reunião da Alca (Área de Livre Comércio das Américas), que naquele dia era realizada em Belo Horizonte.

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