Quando o verbo escutar e seu entendimento são postos à prova, é preciso lembrar de um detalhe que faz toda a diferença, como enfatiza a fonoaudióloga Márcia Bongiovanni: é o cérebro que faz uso da informação que escutamos. ''Se uma árvore cai em uma floresta e não há ninguém para ouvir, não existe o som, e sim vibrações de ondas sonoras. O som só existe quando há um ser vivo para percebê-lo''.
Para que essa decodificação do som aconteça, segundo a fonoaudióloga, há várias habilidades da audição que se dão na infância e têm seu ápice na adolescência. A primeira delas atende pelo nome de memória auditiva. ''A memória auditiva remete a um exemplo do tipo: no segundo quarto, a camiseta azul ao lado da vermelha, na segunda gaveta''.
Há também o fechamento auditivo. ''Quando duas mulheres estão no salão de beleza, lado a lado, conversando, com o som dos secadores ligados, o diálogo não é ouvido por completo e sim fragmentos de palavras. Mesmo assim, consegue-se captar o sentido, por meio do fechamento auditivo''.
Em um restaurante, em uma mesa em que muitas pessoas conversam e há a seleção de uma temática - e de uma pessoa, consequentemente -, a atenção seletiva tem vez. Se, em meio ao bate-papo, o celular tocar e a pessoa atender, há a atenção dividida.
E mais: no mesmo restaurante, pode haver a integração binaural ou síntese, que é a habilidade para reconhecer estímulos apresentados simultânea ou alternadamente em ambas as orelhas. ''Se a pessoa que estiver ao celular precisar passar um recado para quem estiver do outro lado da linha, há a integração binaural''.
Para aprimorar essas habilidades, recomenda-se a terapia e o treinamento auditivo. ''A reabilitação deve ser planejada e realizada por diferentes profissionais, como fonoaudiólogo, neurologista e psicólogo, baseando-se nas necessidades individuais de cada paciente, dependendo da natureza, das manifestações funcionais e do grau do problema. Envolve a modificação ambiental, para garantir o acesso à informação auditiva, a terapia fonoaudiológica, e o uso de estratégias compensatórias, como uso de pistas visuais'', acentua.
Como última ressalva, a fonoaudióloga aponta para a conscientização: as habilidades auditivas podem ser treinadas. (T.N.)

mockup