A vontade de contar a história é tanta que para quem é de fora é difícil acompanhar. Os amigos Julio Cesar Manso Vieira e Mário Antonello foram do MR-8 e lembram dos tempos em que eram presos por desafiar a ditadura nas ruas de Curitiba. ''A gente vendia jornais de esquerda, pichava muros, fazia panfletagem'', confessa Julio.
A ousadia resultou em inúmeras detenções. ''A polícia nos pegava, batia e liberava'', completa Antonello. Uma das prisões de Antonello aconteceu quando ele foi ao aeroporto Afonso Pena pegar exemplares do jornal de esquerda A Hora do Povo. ''Não consegui fugir e me pegaram'', fala, rindo.
Vieira é filho de Ildeu Manso Vieira, membro do Partido Comunista Brasileiro que foi preso em 1975, na Operação Marumbi. Ildeu ficou preso de 1975 a 79 quando o filho estava no 2º grau e foi um dos muitos militantes do Partidão submetidos às técnicas de repressão da ditadura.
A Operação Marumbi teve característica a utilização de recursos como o sequestro e a tortura em centros clandestinos do Exército. Enquanto o pai estava ''hospedado'' no Presídio do Ahú, Júlio virou líder estudantil no Colégio Estadual do Paraná. ''Ele brincava com a idéia de haver uma Anistia. Dizia que era contra já que ele estava próximo de terminar de cumprir a setença à qual foi submetido'', lembra Júlio.
Para a jornalista Silvia Calciolari, autora do livro ''Ex-presos políticos e a memória social da tortura no Paraná'', a lembrança dos homens e mulheres presos e perseguidos pela ditadura no estado tem um efeito positivo sobre a História. ''É graças ao resgate histórico do que foram os Anos de Chumbo no país que hoje não se fala mais em Revolução de 64, e sim em Golpe de 64, que é o que de fato aconteceu'', cita.
Os relatos do projeto Depoimentos para a História serão colhidos nos dias 25, 26 e 27 de junho. Quem estiver interessado em participar deve procurar o Arquivo Público do Paraná pelo telefone (41) 3352-2299 (agendar com Tatiana Marchete) ou o Grupo Tortura Nunca Mais - Paraná pelo (41) 3079-1658. (R.C.F.)

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