Ou gosta ou não gosta
Curitiba - Jair Mendes completa, em 2009, 50 anos desde sua primeira exposição individual, em 1959. Nos anos 1970, já era artista de expressão, com algumas exposições e premiações no currículo. "As pinturas de Jair são um oásis de humanismo no deserto mercantil em que muitos transformaram as artes plásticas do Paraná", escreveu o jornalista Aramis Millarch em 1977. Mendes entende que os artistas têm de comercializar suas obras para viver. "Mas eu nunca fiz concessão para vender. Ou gosta ou não gosta. Sempre tive um emprego como professor ou no Estado para me manter."
Atualmente, Mendes é o coordenador de Ação Cultural da Secretaria Estadual de Cultura, a qual, ele frisa, tem 0,47% do orçamento à sua disposição. Antes, foi o primeiro diretor do Centro de Criatividade - época em que trouxe à cidade o artista argentino León Ferrari. Depois, coordenou o Sistema Estadual de Museus - uma iniciativa do artista plástico Ivens Fontoura que foi por água abaixo com a mudança de governos - e dirigiu o Museu Guido Viaro na época da Criação da Cinemateca de Curitiba, em 1975.
O pintor Guido Viaro, por sinal, foi um de seus mestres, quando, entre 1954 e 1957, estudou na Escola de Belas Artes. "Jair sempre foi arrojado, de talento expressivo além de uma capacidade artesanal de fazer trabalhos muito bons", lembra o colega de curso Constantino Viaro, 70, filho do professor. "Ele me chamava de piá e dizia: Renegue seu mestre. Todo mundo tentava imitá-lo enquanto ele exigia que não fôssemos uma cópia, mas algo próprio. Foi fantástico ser aluno do Guido Viaro", recorda Mendes.
Entre suas expectativas, está dedicar-se em tempo integral à pintura. "Quem sabe daqui a uns dois anos." Orgulhoso, conta que suas obras estão por diversos estados brasileiros e em alguns países no exterior. Afirma nunca ter se aproveitado de seus cargos políticos para promover suas exposições. "Acho que vou esperar sair da secretaria para fazer a minha retrospectiva. Do contrário, vão ficar me acusando de usar a máquina estatal em benefício próprio." Como herança, conta que não vai deixar muito dinheiro aos três filhos. "Mas, sim, a educação que lhes proporcionei e o acervo com a minha obra." (R.U.)





