Está aberta a temporada da dor de ouvido após banhos de mar e de piscinas. No verão, a otite externa -infecção na pele do canal auditivo- é a queixa mais frequente nos consultórios dos otorrinolaringologistas.
Esse tipo de otite ocorre principalmente pela combinação de três fatores: o calor, o contato com a água e o uso de cotonetes, unha, grampos ou outros objetos para ''limpar'' ou secar o ouvido.
Quando a água entra no canal auditivo - que parece uma concha -, ela pode ficar retida, tornando a área úmida e esponjosa, ambiente propício para o desenvolvimento de fungos e bactérias.
Nessa situação, é comum o local apresentar coceira e, mais frequente ainda, é a pessoa lançar mão de cotonetes para coçar o ouvido. Aí é que mora o perigo.
''O cotonete remove a cera que protege o canal do ouvido e pode provocar microtraumatismos na pele, facilitando ainda mais a penetração dos microorganismos'', explica o otorrinolaringologista Yotaka Fukuda, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
A otite externa pode afetar pessoas de qualquer idade. Exemplo disso é o que aconteceu na família do aposentado Dermeval Nathal Ramon, 65, de São Carlos (SP). Há um mês, ele e a neta Julia, 7, tiveram otite externa após mergulhos nas piscinas do resort Pousada do Rio Quente, em Goiás.
''Voltamos para casa sentindo o ouvido tapado, sentindo como se tivesse água dentro. Tentei tirar com cotonete e só piorou'', conta Ramon. A infecção de ambos só passou depois do uso de antibióticos e antiinflamatórios.
Normalmente a otite externa é precedida de uma sensação de água dentro do ouvido, exatamente o que Ramon e a neta sentiram. Depois, vem a coceira, a dor (ao tocar o ouvido ou mastigar), e, às vezes, uma secreção (pus). Segundo Fukuda, a otite causada por fungos (otomicose) tende a apresentar apenas coceira, enquanto a provocada por bactérias resulta em dor, vermelhidão e inchaço da pele do canal auditivo.
Apenas o médico está habilitado a reconhecer o tipo de otite e indicar o remédio (fungicida ou antibiótico) adequado. É fundamental a limpeza do canal auditivo, com a remoção de todos os restos de pele, secreção e cerume.
Durante o tratamento, que pode durar até uma semana, os médicos recomendam evitar o contato da água no ouvido.
A melhor forma de prevenir a otite é manter os ouvidos secos. Uma dica do professor de otorrinolaringologia da Unifesp, Arnaldo Guilherme, é colocar duas gotas de álcool absoluto (vendido nas farmácias) no ouvido. ''A água evapora, eliminando a umidade do local.'' Mas lembre-se: o recurso é preventivo. O álcool não deve ser usado se houver dor.

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