Os velhos e os novos tempos
O que um músico londrinense tão prestigiado e ainda ligado à cidade consegue notar de diferente, com o olhar de um paulistano? ''A diferença é geral, não é só em Londrina. Mas não sei, antes parece que existia uma curiosidade maior, uma busca. Era mais difícil, mais complicado chegar coisas para a gente. Hoje, você clica e tá na mão. Antes a gente procurava mais'', nota Paulinho Barnabé.
''O que sinto em relação à música é que tem muito espaço, muitos músicos de qualidade. O nível de Londrina é muito bom, bate com o de São Paulo, o pessoal daí tem muita garra'', complementa.
E com relação a cidade, o que mudou? Paulinho faz uma comparação entre a Londrina dos anos 60 e de hoje. ''Londrina tinha e acho que ainda tem um pôr-do-sol magnifíco. É um absurdo de bonito, tudo fica vermelho. Na minha época não tinha muito prédio, era mais casa. Beatles, Bossa Nova, Jovem Guarda... Foi tudo em Londrina. Quando escuto lembro muito da cidade. A gente teve a felicidade de ter fontes londrinenses que traziam coisas legais. Lembro também dos leiteiros em carroça com leite em garrafa, dos padeiros buzinando com cavalo, dos taxis antigos... Do 'Circuito', uma figura folclórica, um japonês agitado que fazia origamis'', recorda.
''Hoje vejo aquele vale (Vale Verde), uma imagem espetacular. Zerão, o planejamento legal, a cidade bonita, o aumento do número de universitários, isso dá um gás, a cidade continua um lugar legal'', afirma.
No entanto, faz uma crítica. ''Só acho que o pessoal deveria preservar áreas que não estão sendo preservadas, para impedir essa voracidade imobiliária. Os bairros estão sendo invadidos, ruas que tinham casinhas legais com árvores agora têm prédios. Na escala do prédio, as coisas diminuem. Uma árvore parece nenhuma. Hoje moram 50 famílias onde moravam cinco. Isso está sendo feito de forma arbitrária, sem a preocupação com o bairro'', alerta. (C.Y.)





