O curitibano realiza todos os dias ações que, de tão corriqueiras, são desempenhadas no ‘‘piloto automático’’: aguarda sua vez nos vários semáforos, tira dinheiro no caixa eletrônico, ajusta as horas no relógio de pulso ao ver a hora certa nos relojões de rua que também indicam a temperatura do dia.
Entretanto, dificilmente o curitibano se lembra dos personagens que foram fundamentais para que cada uma dessas ações fosse cumprida: o operador que monitora o tráfego, o funcionário que preparou o material para que a rua fosse asfaltada ou recuperada, o encarregado de abastecer de cédulas o caixa eletrônico, a pessoa que faz a manutenção dos relógios de rua...
Valmir Santana resume a sua vida profissional e a de outros personagens: ‘‘Quando fazemos bem o nosso trabalho, ninguém repara. Mas se fazemos mal, todo mundo reclama’’. Santana é um dos trabalhadores que fazem Curitiba funcionar. Ele é operador na Usina de Asfalto do Abranches, uma das duas unidades de Curitiba (a outra fica na Cidade Industrial) responsáveis pela confecção do CBUQ (Concreto Betuminoso Usinado a Quente), material que serve para recapear, asfaltar ou fazer operações tapa-buraco nas ruas da capital.
Santana se dedica a essa profissão há 20 anos: antes, trabalhou na usina de asfalto que ficava onde hoje está a Pedreira Paulo Leminski e na usina da CIC. Sua função é dosar cuidadosamente os insumos para a produção do CBUQ. ‘‘É um trabalho gratificante, mesmo sendo anônimo’’, garante. ‘‘Certa vez, eu e outro operador estávamos passando por uma rua, vimos o asfalto e falamos: ‘Puxa! Nosso trabalho foi bem feito!’’’.
Ariosvaldo Aguiar, um dos operadores da central de tráfego da Urbs, sabe bem o que é desempenhar uma função essencial, mas que passa despercebida à maior parte da população. Há seis anos ele se dedica a operar o controle dos semáforos de Curitiba, tarefa que vai desde se comunicar com os funcionários da manutenção que reparam equipamentos inoperantes até alterar a temporização dos sinais.
Isso fora outras ações imprescindíveis para a fluidez do trânsito. ‘‘Há algumas decisões em que já há uma certa padronização, porque essencialmente sempre acontecem as mesmas situações, então fazemos por conta. Existem decisões mais complexas e aí é preciso discutir com os superiores. Em dias normais, eles estão sempre próximos, então conversamos o tempo todo. Mas em feriados e finais de semana muitas vezes é preciso tomar decisões difíceis sozinho’’, explica Aguiar.
O operador se lembra de um dia de verão de 2004, quando uma tempestade provocou um cenário de caos em Curitiba: segundo Aguiar, 200 semáforos ficaram apagados e outros 30 em alerta (quando a luz laranja fica piscando). ‘‘Você tem que fazer funcionar de qualquer jeito, nem que seja provisoriamente, até que a estrutura seja regularizada’’, afirma.

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